Carta a uma amigo, sobre a paixão e a pele que se apaixona.
Meu amigo D, Numa das raras vezes em que conversei com meu pai depois da separação dele e da minha mãe, ele pegou algumas fotos de mim quando criança e colocou em seqüência cronológica. Eram poucas fotos, pois ele rasgou ou queimou quase todas depois que fomos embora. Ele me disse que eu era uma criança que, apesar da bronquite, sorria muito facilmente, que eu era inteligente, esperta, brincalhona, mas que de um dia para o outro eu parei de rir. Ele estava certo e eu lembro quando aconteceu. Foi quando eu comecei a vê-lo espancar minha mãe, (a amante dele estava na porta da nossa casa) ele começou a me bater muito, e o que havia de pior numa relação familiar fez parte da minha realidade. Antes disso, mesmo as maldades da minha família não me afetavam tanto. Eu fui brutalizada pela vida. O que ele não percebeu foi que a...