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Carta a uma amigo, sobre a paixão e a pele que se apaixona.

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Meu amigo D,                           Numa das raras vezes em que conversei com meu pai depois da separação dele e da minha mãe, ele pegou algumas fotos de mim quando criança e colocou em seqüência cronológica. Eram poucas fotos, pois ele rasgou ou queimou quase todas depois que fomos embora. Ele me disse que eu era uma criança que, apesar da bronquite, sorria muito facilmente, que eu era inteligente, esperta, brincalhona, mas que de um dia para o outro eu parei de rir.   Ele estava certo e eu lembro quando aconteceu. Foi quando eu comecei a vê-lo espancar minha mãe, (a amante dele estava na porta da nossa casa) ele começou a me bater muito, e o que havia de pior numa relação familiar fez parte da minha realidade. Antes disso, mesmo as maldades da minha família não me afetavam tanto. Eu fui brutalizada pela vida.   O que ele não percebeu foi que a...

Triste dia dos pais.

Pai é uma palavra que soa estranha na minha voz. Ora soa falsa, ora amarga. Mãe é uma palavra cujo significado só melhorou um pouco quando eu me tornei uma. Meus pais se separaram quando eu tinha por volta de onze anos, e, em meio a uma separação difícil, meu pai abandonou a mim e a minha irmã, constituindo outra família. E minha mãe descontou toda a raiva na gente. Ele simplesmente virou as costas, mal pagava pensão. Abandono emocional é pouco. Não quis saber se estávamos bem, se estávamos mal, doentes ou saudáveis. E olha que eu tinha uma bronquite grave. Não se importava se tínhamos educação, moradia, o que vestir ou comer. Se sofríamos abuso. Ele tinha outra família e outras prioridades. No início a prioridade dele e de minha mãe era brigar entre si, depois a dele era a família dele, algo que ele e a esposa deixaram bem claros. Nas poucas tentativas de aproximação, o tratamento foi frio, numa tentativa de ligar para ele, embora eu ouvisse a voz dele ao fundo, a esposa dele di...

A dream of a past long gone and dead

Dreams are fickle, they elude us. Once we dream, they are gone, and regardless of all our attempts to pick the dream where we have left it or to dream it again, all we do is to remember, and we add or take a few things from the original experience until it is nothing like it was; it is a memory made again, a memory of nothing. No more a dream than a fantasy. I don´t know why I woke up thinking of you. I was in this park or garden; the day was grey and the grass was neatly cut, like a football pitch I suppose, there were gentle slopes and happy flats, and small ponds, and these small squat trees, of a green that I can´t quite say was dark or if the dark hue was lent by the grey sky.  There was this mother and son, and they looked very much alike, they even dressed like each other: auburn hair, very fair skin and fine pointy features, plain and slightly chinless.  The boy stared at what seemed nowhere and the mother stared at the boy. Neither talked to me or seemed t...