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Carta a uma amigo, sobre a paixão e a pele que se apaixona.

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Meu amigo D,                           Numa das raras vezes em que conversei com meu pai depois da separação dele e da minha mãe, ele pegou algumas fotos de mim quando criança e colocou em seqüência cronológica. Eram poucas fotos, pois ele rasgou ou queimou quase todas depois que fomos embora. Ele me disse que eu era uma criança que, apesar da bronquite, sorria muito facilmente, que eu era inteligente, esperta, brincalhona, mas que de um dia para o outro eu parei de rir.   Ele estava certo e eu lembro quando aconteceu. Foi quando eu comecei a vê-lo espancar minha mãe, (a amante dele estava na porta da nossa casa) ele começou a me bater muito, e o que havia de pior numa relação familiar fez parte da minha realidade. Antes disso, mesmo as maldades da minha família não me afetavam tanto. Eu fui brutalizada pela vida.   O que ele não percebeu foi que a...

A indomável Dona L

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Dona L é uma pessoa e tanto. Não há dúvidas. É olhar para ela e saber. Meu analista diz que leu ou ouviu uma vez que sempre há uma Dona L em todas as anedotas judaicas engraçadas. E a contar pela que eu conheço essa é uma mishigne memorável. Chamar alguém de maluco numa sala de espera de um consultório de um médico psiquiatra não é exatamente a coisa mais delicada do mundo, mas para pessoas como eu e Dona L é algo que arranca uma troca de olhares significativa e sonoras gargalhadas. A bem da verdade eu adoro pessoas como ela, que demonstram no olhar todas as suas emoções, pessoas explosivas tanto no afeto quanto nos rompantes de raiva mas que até nestes parecem ser extremamente afetuosas de um jeito estranho. Eu amo ouvir pessoas que viveram suas vidas de forma intensa e riem disso. Não que não tenham sofrido pois cada um sabe de suas cicatrizes, do quanto elas doeram do quanto elas fizeram sofrer, ou mesmo não tem tanta noção do sofrimento que causaram, mas estão aí da...