Mulheres não tem data de vencimento.

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Homens amadurecem, mulheres envelhecem. Nós apenas envelhecemos. Aos olhos da mídia, da sociedade, dos homens, dos filhos, o passar dos anos é uma perda e uma espécie de aleijão. A mulher mais velha, e quanto mais velha ela é, se torna invisível como um ser dotado de desejo e de feminilidade. Ela perde a beleza, não apenas física, mas qualquer tipo de atratividade. Ela se torna avó, colega de trabalho, uma espécie de homem sem pênis.

Não é apenas uma questão de aparência, embora ela importe. A luta para permanecer com uma aparência jovial pode ser cruel fisica e mentalmente. Exercícios mais intensos, dietas, procedimentos estéticos cada vez mais invasivos. Nada disso faz diferença quando a mulher coloca sua idade real no Tinder, por exemplo. 

Tenho colegas que resolveram trocar de esposa e ser pais novamente depois dos cinquenta e cinco anos. Se sentem jovens, ou rejuvenescidos, ao passear com um bebê no carrinho e uma moça bem jovem ao lado. Fazem pouco de mulheres que tem relacionamentos com homens mais jovens, pois elas não tem capacidade reprodutiva, e é uma idéia manifestada de maneira mais ou menos sutil, depende da educação do sujeito... 

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(Angela Basset is over 60)

Hoje em dia nós estamos chegando aos cinquenta anos com saúde melhor, melhor aparência, mais independentes e com mais interesses do que ficar em casa e cuidar de filhos e netos. Muitas mulheres não mais associam felicidade e plenitude a estar casada e morando com alguém, mas sim a ter amigos e uma vida social, a namorar (ou não), ter com os filhos uma relação diferente da hierarquia do passado, poder criar, trabalhar, se reiventar, depois dos quarenta e cinco ou cinquenta anos. Hoje, mulheres já pensam que talvez seja melhor pensar em alternativas de aposentadoria em condomínios para pessoas da sua faixa etária, com atividades sociais, etc. Nada de asilos, nada de isolamento, mesmo para os de temperamento mais introvertido.

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Resultado de imagem para sunsetAs mulheres de cinquenta, sessenta anos não perdem o desejo, como pulsão, a vitalidade, nem a libido. Você não chega a uma certa idade e simplesmente perde a validade e acabou. O corpo muda, pode não ser mais a mesma coisa, quem sabe, mas então o negócio é se reinventar, ver a idade como uma oportunidade de se conhecer novamente, novas formas de prazer, de conhecer o próprio corpo, o do companheiro, desafiar os conceitos do passado, deixando-os pra trás, já que a cada ano, a vida fica mais curta, e, porque não, mais bela.

A manhã é linda, mas o sol quando se põe é uma explosão de luz e cores riquíssima, e é assim que é a mulher no outono e inverno da sua vida. Cheia de experiência, coisas para dividir, vontade aprender coisas novas, de dividir, de viver! Isso é lindo! Envelhecer é chato. A gente está cheia de idéias, de vida, já com experiência e excitada, e o corpo não acompanha, então vamos levando, damos nosso jeito. Mas o que uma mulher mais velha, como a que eu sou hoje diz é: desistir? Nem a pau!

Os homens da nossa idade não nos querem. Problema deles. Os jovens não querem nada sério. É a vida. Mas cada momento pode ser bom. Minha geração está abrindo caminhos, ela vem abrindo caminhos desde os anos oitenta. E eu tenho a honra de vir de uma família de mulheres que viveram de acordo com suas próprias idéias, buscando suas realizações, enfrentando os obstáculos dos tempos delas, e elas sobreviveram e prosperaram, e eu estou apenas fazendo o mesmo, com muita garra, muito orgulho, muito segura de estar fazendo o que nasci para fazer: ser eu mesma.

Eu não aceito data de validade, não aceito virar uma boneca esticada, não aceito perder minha sexualidade, e ei de achar uma solução.

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