Guerras Arcanas, 19-21

 Capítulo XIX

“Com licença, lady Phillipa, trouxe o medicamento do duque.” disse Sir Ren, olhando para ela e para o mestre, confuso.

“Shhh. Eu o tratei com mana. Acredito que ele deve descansar até amanhã. Não se preocupe.” Ela tomou o frasco dele e o colocou no bolso do seu roupão. Só então percebeu que havia se vestido de maneira desleixada, deixando entrever suas roupas finas e transparentes. Um tanto surpresa, porém não envergonhada, ela se desculpou com o cavaleiro leal ao seu esposo.

“Desculpe, eu deveria ter sido mais cuidadosa.”

“Não, eu é quem devia me desculpar, minha senhora, pois eu acabei olhando, o correto era eu ter desviado o olhar.”, mas ele não parecia embaraçado e nem desviou o olhar. Phillipa, que não costumava ficar acanhada, se sentiu mais nua do que jamais estivera até então.

Dentre os homens que havia conhecido naquele mundo, Ren Reinfeld não era o mais bonito, nem o mais rico e poderoso, no entanto, ela sentia atração por ele. Os modos calmos, constantes, o humor seco, o olhar que parecia ocultar desejos e pensamentos muito diferentes do que ele mostrava... Era bem mais jovem do que o Grão Duque, trinta anos, e seus olhos azuis pálidos combinavam com a pele clara e o cabelo louro escuro. Longe de ser um homem baixo, em torno de um metro e noventa, ele apenas parecia menor em razão de estar frequentemente ao lado de Donovan, um gigante de pouco mais de dois metros.

Ao contrário do marido, Reinfeld era gracioso, leve, e de movimentos elegantes. Talvez fosse influência do seu elemento, o ar, o vento, mas ele não fazia o menor ruído ao andar.

Várias vezes observou o cavaleiro apreciando os outros cantando e dançando ao redor das fogueiras, e percebeu que ele adorava música. Notou que ele era bem versado em magia e na literatura daquele mundo. Ainda assim era apenas um cavaleiro da Casa Sterling, com uma renda digna, algum nome, porém sem nenhum título ou fortuna.

 

Os dois se olharam nos olhos, pela primeira vez, à sós. Ele exalava um cheiro um pouco almiscarado, sujo, suado, as roupas mais leves, compatíveis com o clima mais quente durante o dia, estavam manchadas de terra e poeira. No entanto, o rosto dele lhe parecia não apenas limpo, mas até brilhante, a tez clara e impecável, contrastando com lábios vermelhos.

“Donovan deve dormir até amanhã.” Ela se pegou falando baixo, quase gaguejando.

O cavaleiro continuava olhando para o rosto dela, uma expressão tensa. “Ren, acho que a água da banheira ainda está limpa, ele só ficou de molho nela, se você quiser, pode usar...” ela falou sem pensar, constrangida e confusa com o súbito desejo.

Por alguns segundos, ele se assustou e olhou por sobre a cabeça dela, buscando uma reação de seu senhor, porém este se encontrava em sono profundo, na cama de peles. Somente então ele percebeu que ela tinha lançado um feitiço que bloqueava o som e os disfarçava no ambiente, suspirando aliviado.

“A senhora tem magia espacial e escura também, pelo visto.” Ele mordeu o lábio inferior, e depois passou a língua sobre ele. Torceu as mãos, agoniado, segurando o ímpeto de tocar o rosto da menina-mulher. Percebeu que ela acompanhou esse seu reflexo ansioso.

“Sim, mas não preciso ficar divulgando, por favor.” Olhou para o esposo profundamente adormecido. “ É bom que ele aproveite o isolamento.”

Reifeld tinha uma compleição clara, cabelos louro acinzentados, fartos, ainda curtos da tosa forçada em Cassel que mal cobriam-lhe as orelhas e a testa. O barbeiro da vila devia ter destilado seu ódio pelos sulistas pois fizera um desserviço à aparência dos legionários. Ainda assim,  eram grossos e macios ao toque, nada nele sugeria aspereza, senão uma masculinidade firme.

Como ele nada respondeu, ela se virou e deu o assunto por encerrado, se sentando novamente. Qual não foi sua surpresa ao ouvir atrás de si o ruído de roupas caindo no chão. Olhou para trás e viu Ren se despindo, tirando as botas, para tirar as calças. 

Ela não o ajudou, mas sim continuou sentada, observando aquele homem habitualmente ameno e silencioso se despir e dobrar suas roupas. Apontou para ele uma bacia grande e o pote de óleo de banho. Cruzaram os olhares, entre embaraçados e entorpecidos.

Se havia algo que ela gostava de fazer, de vem em quando, era dar banho no homem que ela tinha como amante. Fizera isso com Paul várias vezes, e fazia com seu esposo. A falta de jeito de Ren em pé à sua frente, lhe deu essa gana de tocá-lo, explorá-lo inteiro. Esse trabalho, tão comum aos servos, de assistir ao banho de seus amos, podia ser algo íntimo, por isso jamais permitira que qualquer um lhe desse banho, desde que encarnara naquele mundo. Seu irmão apenas lhe imitou, e ficou maravilhado ao receber essa carícia dela.

Ela se levantou e tomou o óleo nas mãos, e esfregou vigorosamente nos ombros, nos braços, nas costas, na barriga, nas nádegas, nas coxas, nas pernas, pescoço, rosto, do cavaleiro, e antes que ele protestasse, sem o menor constrangimento, tocou seu traseiro, para então tocar-lhe o pau, que já se encontrava rijo, em meio a relva mais clara que a de seu esposo.

Ensaboou o cabelo do homem, e depois, raspou um pouco do óleo saponificado. Derramou água morna sobre ele retirando toda a sujeira. Finalmente ele pode entrar na banheira, cuja água estava quente a custa de cristais de mana de fogo.

“Me perdoe. Quando você e seu irmão nos encontraram no salão de banhos. Até hoje, eu... “ o coração dos dois batia forte, como tambores.

Ela tocou o rosto dele, limpo e cheiroso, molhado, e estremeceu. Aos trinta anos, ele seria, considerando as duas vidas de que tinha memória, até jovem para ela, entretanto, ele ainda era mais velho do que ela para o mundo. De qualquer maneira, ele era infinitamente mais jovial que Donovan. Tudo considerado, era até surpreendente como esse homem era conservado para um cavaleiro que passou boa parte da vida servindo em caçadas a monstros e escaramuças.

“Sabe, senhora Sterling, eu não creio que Sua Graça lhe satisfaça, eu quase sempre sinto um cheiro de frustração na sua carne”, ele disse, a voz baixa, macia, um barítono um tanto mais grave aveludado, e deu uma pequena mordida no braço que Phillipa tinha deixado próximo ao seu rosto. O efeito entorpecente e alucinógeno foi rápido, tão forte que ela não teve a menor memória do que aconteceu depois.

Ao invés do homem manso e calmo que todos conheciam, os olhos azuis pálidos ganharam pupilas negras ovaladas, dentro de um halo dourado bastante distinto. os cabelos se alongaram em um dourado opaco, que flutuava na água, a tez, ao invés de branca, escureceu a um tom tocado pelo sol, e os lábios, esses sim, continuaram rubros, como se borrados de sangue. As feições delicadas ficaram mais anguladas, como todo o corpo, mais longilíneo, e mais alto, os dentes, muito brancos, eram muito fortes e cortantes. Ren exalava um odor intoxicante, afrodisíaco, que envolvia Phillipa, intensificando o efeito da sua mordida venenosa. Ela não resistiu e respondeu a tudo o que aquela criatura lhe perguntava, atendia ao que ele lhe solicitava, e tudo lhe dava prazer.

“Você tem razão, ele raramente me satisfaz. Eu me satisfaço pensando no meu Cavaleiro Reinfeld!” ela sorriu, entontecida.

“Minha jovem duquesa me confessa, você se entregou para seu irmão, não é? Desde aquele dia no banho eu soube, pelo cheiro de vocês.”

“Ele não é meu irmão e quem rompeu meu véu primeiro foi o velho, mas você está certo, eu e Paul fizemos sexo muitas vezes.”

“Ele não é seu irmão?”

“Meu primo.” Ela deslizou os braços para dentro da banheira, acariciando o peito do homem-criatura, beijando e cheirando o seu pescoço viril.

“Quem é seu pai?”

Phillipa contou o que sabia da história, enquanto a criatura, já fora da banheira, e enrolada num roupão do duque, lhe acariciava a pele. Ele a arranhou levemente, o bastante para tirar um fino fio de sangue, que ele provou com a ponta da língua.

“Ah...” Ren sentiu um arrepio percorrer seu corpo todo, e cravou as garras no chão para não enfiá-las na carne daquela moça. Aquele cheiro, o calor, a vibração daquele sangue! Era isso que vinha atiçando a sua fome!

“Você ama Paul Cassel?” ele perguntou, suspirando no pescoço dela.

Ela sorriu, e confessou que não. Nem Paul e nem Donovan. Um alívio estranho fez a mão que segurava o braço de Phillipa relaxar. Ren não conseguia compreender a moça ou a si mesmo.

Havia quatro anos que ele tomou o corpo de Ren Reinfeld, um cavaleiro da Casa Sterling. Depois de tocaiá-lo nas montanhas ao largo do Ninho do Corvo, enquanto caçava, o elfo de sangue o consumiu inteiro, assumindo sua forma. Algumas semanas depois, simulou um ataque de hobgoblins à casa que o cavaleiro morava com sua esposa e filha de três anos, e matou as duas, sugando apenas o bastante de sangue e consumindo o fígado das duas.

O cavaleiro Ren foi um alvo escolhido depois de longa observação justamente por ser uma pessoa sem pai ou mãe, um homem leal e silencioso, discreto, que por suas qualidades vinha servindo ao Castelo Ninho do Corvo desde moço.

Não era fácil se apropriar de sangue real. O mais próximo disso seria um Miura de Fazenda dos Touros, ou o infame Duque Sterling, e este era uma pessoa muito mais acessível tanto pelo seu temperamento, quanto pela sua vida de guerreiro. Ele havia de ter muitas oportunidades de se apossar do corpo do homem, ou consumi-lo.

Então duas coisas inesperadas aconteceram: a primeira foi a maldição tornar o corpo de Donovan inapto para possessão, logo, ele apenas se alimentaria dele próximo a hora da morte, e passou a observar um dos filhos, para escolher qual deles se tornaria seu hospedeiro, e a segunda coisa inesperada foi Phillipa.

Elfos de sangue vivem por séculos, porém não são imortais. Precisam trocar de corpos periodicamente, consumindo um corpo humano e assumindo sua forma, passando muito pouco tempo, na verdade, em sua forma real. Todavia, precisam se alimentar com certa constância, para manter a forma humana, seja do sangue ou do fígado das vítimas, geralmente duas vezes por ano, no máximo.  Como raça, mal constavam dos grimórios modernos, pois eram considerados extintos, graças a sua dificuldade de identificação, e também por raramente se reproduzirem.

A cada par de séculos poderia acontecer de um elfo ou elfa entrar numa fase semelhante ao cio dos animais, e por alguma razão sofrer de um apego por outro elfo, que duraria até que a cria atingisse a maturidade, por volta dos cinquenta anos. Entretanto, sendo espécie solitária, que compete por alimento, o mais comum era que esses elfos sofressem esse apego obsessivo por humanos, e as crias, meio elfos, não podiam trocar de corpos, e nem consumir sangue, mas teriam uma vida mais longa, poderes mágicos mais intensos, e, o efeito adverso da sua natureza humana e élfica entrarem em conflito enlouquecendo-os. Não era incomum que os próprios elfos de sangue enlouquecessem ao longo de sua vida, e acabassem mortos.

Ren estava se arriscando ao se alimentar mais frequentemente porque algo no sangue de Phillipa o havia excitado, e ele a escolheu como sua obsessão. Sim, ele havia pensado em tomar o lugar de Paul, se ela tivesse ficado em Cassel. Ele já tinha tido amantes na sua vida, algumas ele apenas abandonou quando envelheceram, ou o período de cio se acalmou, outras, ele as consumiu, porém nunca, em sua longa vida, uma pessoa, homem ou mulher, havia despertado essa insanidade nele.

“Você quer se deitar comigo? Consegue adormecer o duque mais profundamente?.” – ele sugeriu, sedutor, e Lipa se esgueirou pela cama e aplicou mais magia sobre a maldição, fazendo Donovan gemer suavemente e se virar para o outro lado, agarrado a um travesseiro. O resto da cama, uma espécie de futon de peles, ficou aberto para ela e seu visitante inesperado.

Ela olhou para ele, praticamente em sua forma real e murmurou: “Você é tão bonito!”

Ele tendia a crer que o que quer que uma vítima falasse sob influência do seu veneno era o que sentia, uma fala involuntária, sem dúvida, apesar de real. Aos olhos humanos ele era um monstro, e ele sabia que era um monstro, exatamente do tipo que eles viviam para caçar e exterminar, entretanto ela, tocou nos cabelos dele, olhou dentro dos olhos dele, esfregou sua pele na dele. Antes que ele pudesse responder, sentiu a língua dela sobre seus lábios e a beijou com fúria.

Lipa gemeu e suspirou, observando que ela era ligeiramente áspera; voltando a beijá-lo, suas mãos passeavam um sobre o corpo do outro, e ela o cheirava e lambia. Sem se conter, ele lhe sugou os seios, passeando a língua sobre os mamilos, os bicos muito rijos, e ela puxou a mão dele para sua xota. Ele mergulhou os dedos dentro dela, tateou o grelo e o encontrou enrijecido, tremulo, aguardando suas carícias. Ela implorava aos seus ouvidos para que a fizesse gozar, e ele a fez, ordenando que ela o mordesse para que não escapasse nenhum gemido.

Reinfeld lambeu os próprios dedos, e ela avançou sobre o seu membro ereto, fazendo com que ele revirasse os olhos. Como um metamorfo, ele podia modificar até essa parte da anatomia, porém preferiu ser como era, ou como lembrava de si mesmo, e ela beijou seu ventre liso e sem pelos, lambeu suas bolas, colocando as na boca alternadamente, enquanto o masturbava, a vara grande e sem prepúcio, muito parecida com a humana, com exceção da ausência de veias, e da cor vermelho profundo, a cabeça em formato de morando, mergulhando naquela boca, vertia um líquido adocicado, levemente entorpecente, e ele não podia evitar, era parte dele.

Ela se abriu inteira para ele, e ele a lambeu. Imediatamente a moça se arqueou, gozando incontrolávelmente sob a aspereza de sua língua inumana. Ele podia sentir o sabor dela e mordeu a coxa, como um animal brincando com a presa. Somente então se permitiu inserir a verga na bucetinha dela, e pulsou até que ela mal conseguia se mover. Com ela quase entalada, ele arremeteu, em transe, mordendo as mãos dela, que ele mantinha presa sob ele. Enquanto ele sorvia o sangue que brotava dos cortes, arrastado pelo turbilhão de sensações daquele corpo humano feminino, tão pequeno e frágil sob ele, como um poço escuro, onde o esperava a morte e o aniquilamento, ele ejaculou, finalmente em êxtase e inconsciência.

Acordou no meio da noite ao lado dela. Pelo que percebeu, ainda faltavam algumas horas para o dia raiar, ainda que não muitas. Notou, horrorizado o estrago que causou na sua senhora, e lembrou da poção que havia trazido mais cedo para o duque: aquilo era feito para ressuscitar um defunto, algumas gotas recuperariam aquelas feridas.

Se ela o aceitasse... ou se ele se controlasse... pensou consigo mesmo, apenas para se assustar com sua própria imagem, num pequeno espelho na mesinha onde estava o manto, com o frasco de poção. “Ren Reinfeld! Eu sou Ren Reinfeld!”, e cerrou o punho sobre o peito enquanto se concentrava em retornar à forma humana. Não sentia fome, estava satisfeito, porém ansioso, e acorreu a limpar e arrumar Phillipa, antes de deixar a tenda sorrateiramente.

Ao se aproximar do próprio alojamento avistou Karl. “Também ficou de vigia hoje, Sir Karl?”

“Ah, sim”. – O gambá velho parecia sonolento. – “Estava tudo tranquilo do seu lado?”

“Sim, e do seu? Suponho que sim!”, pegou uma caneca com café quente e amargo, do bule junto à fogueira e examinou o sujeito.

“É final da primavera e já está tão quente! Só ouvi uns ruídos estranhos, mas não era nada. A gente só tem de se mexer quando os patrulheiros voltarem, afinal.”

“Pois é, acho que o estranho, daqui pra frente, será o silêncio, meu camarada velho. Melhor eu ir esticar o corpo na cama um pouco, pois o dia já vai raiar. Até mais.”

“Até!”

O elfo de sangue conseguira viajar por tanto tempo, através dos séculos evitando olhar para trás, pensando que o futuro era o compasso da sua sanidade. Nunca entendeu o conceito de felicidade humana, apenas marchava para frente, atendendo ao impulso atávico de sobreviver. Antes do dia clarear ele já tinha adormecido, sonhando que era bonito e que alguém lhe esperava sorrindo.


Capítulo XX

Donovan acordou cedo, e viu a esposa deitada ao seu lado, vestida com uma camisola leve, dormindo profundamente, quase babando no travesseiro, os cabelos pretos, espalhados ao seu redor. Se não era uma visão belíssima, era uma daquelas coisas a que tinha se habituado desde que começaram a campanha.

Em casas da alta aristocracia, era comum que marido e mulher tivessem aposentos separados, e que o homem a visitasse a esposa quando sentisse necessidade ou fosse obrigado a cumprir suas obrigações maritais. Sterling jamais sentira necessidade de ter amantes ou concubinas, pois essas lhe pareciam mais como outras esposas, com mais das mesmas responsabilidades, com o agravante de criarem situações dramáticas no lar, completamente desnecessárias.

O Grão Duque Donovan Sterling era um homem que apreciava o sexo frágil nos estabelecimentos de prostituição de luxo, ou os breves casos, que o excitavam, pela conquista e seus mistérios.

A garota deitada na sua cama não era nem uma prostituta, nem uma dama apaixonada por ele, no entanto ele encontrou com ela prazeres e intimidade que não partilhara com outras mulheres. O homem se levantou para se lavar, e cuidar da sua higiene, antes de chamar o seu taifeiro. Quando estava mais ou menos pronto, se debruçou sobre a cama, e puxou o lençol sobre o corpo da esposa.

Phillipa suava, tremia, e abriu os olhos nublados de desejo para ele. Antes que ele pudesse raciocinar, ela o atraiu para a cama, implorando que ele a comesse com força e rapidez, que a semeasse.

Por alguns instantes ele se sentiu inseguro, se seria capaz de cumprir com a demanda da moça, porém a noite bem dormida, livre de dores, e a voracidade da mulher, lhe fez sucumbir, e ele comeu, com tanta força, que precisou colocar a mão sobre a sua boca, permitindo que ela lhe mordesse, como uma fera no cio. Ela não era uma mulher pequena, bem sabia, mas sob ele, parecia miúda, especialmente depois desse tempo na estrada, perdendo peso.

Antes que ele pudesse ejacular dentro dela, ela se desvencilhou dele e o sugou com sofreguidão, bebendo do seu leite como se aquilo fosse lhe nutrir realmente. O corpo suado e trêmulo dela lhe fez querer mais, e maldizer a condição masculina, de não conseguir ereção eterna e gozo contínuo.

Finalmente satisfeita, ela pediu um pouco de água, se espreguiçou, e dormiu um pouco mais.

Ele aproveitou e saiu da tenda, deixando ordens para que uma das meninas, filha de uma das prostitutas que serviam os soldados como alívio sexual e como lavadeiras, fosse depois ajudar a Dama a se vestir.

Era hora de passar em revista as tropas que estavam levantando acampamento para o último dia de marcha até Sollisburg, a primeira cidade do norte, onde colocariam um portal dimensional.

Quando passou pelas tendas dos oficiais, foi avistado por Ren e Karl, que se adiantaram a lhe acompanhar, os dois claramente cansados do turno de vigia da noite.

"Os cavalos estão cansados, Sua Graça, mas acho que poderemos chegar até Sollisburg sem perder nenhum." Karl relatou, com uma seriedade incomum.

"Os clérigos ascetas estão mais uma vez arrumando confusão com as mulheres que servem aos soldados, e tem entrado em conflito também com os clérigos de ordens de armas. Essa é uma questão que, eu sugiro, o senhor tente mediar, depois que chegarmos a Sollisburg." 

"Ren, se esses bostinhas não fossem tão bons em artes marciais, eu não os teria aceito!" Sterling resmungou.

"Não são melhores do que os clérigos das outras ordens, meu senhor!"

"Não, não são, mas você sabe tão bem quanto eu, que não tivemos a escolha dos melhores, e sim daqueles que quiseram vir. Os melhores, ou os que estavam em posição de escolher, preferiram ficar com a escolta do Primeiro Príncipe!" Sterling andava com seus passos largos, mais leves, agora que não usava mais armadura metálica completa e que tinha perdido algum peso, transformado em músculo.

"Entendo. Branson avisou que os rastreadores já vasculharam o caminho adiante, e marcaram os pontos críticos. Creio que podemos marchar sem problemas." Ren continuou. "Dona Phillipa despachou ontem mesmo quatro esquadrões de caça e extermínio para ir limpando a estrada."

"Ela deu ordem? E foi obedecida? Não mandou o seu próprio esquadrão?" Karl interrompeu, curioso.

"Os Onze de Cassel estão cansados, não lembra? Ela ficou cuidando de Sua Graça até tarde, mas ela mesma havia chegado de uma caçada." Ren esclareceu.

"Isso explica o comportamento e o cansaço dela" Donovan murmurou, lembrando da esposa sonolenta.

Um escudeiro e um taifeiro correram em direção aos três, com papéis nas mãos.

"Sua Graça! Com sua licença, recebemos mensagem do senhor de Sollisburgo, com autorização para entrada na cidade e orientações quanto a estadia dos legionários" Benny, o taifeiro gritou antes que, Grigory, o escudeiro pudesse falar.

Donovan leu a mensagem, e suspirou. "Os homens ficarão felizes de dormirem em camas de verdade por uma semana, poderem ir a uma taverna, tomarem um banho normal, enfim, será quase uma folga."

Grigory empurrou o colega, e pediu licença ao Grão Duque e aos Cavaleiros para informar sobre a disponibilidade de cavalariças equipadas e veterinários na propriedade do conde.

Olhando para a direita, viu o estandarte dos Cassel içado sobre uma tenda circular, e resolveu ir ver com os próprios olhos como estavam os companheiros de sua esposa.

Ren reduziu um pouco o passo e cochichou para o taifeiro correr para a tenda do Duque e informar à Duquesa que o esposo dela ia visitar o Covil. O jovem não precisou ouvir duas vezes e saiu ligeiro por entre tendas, equipamentos e soldados.

Sterling não se anunciou e entrou sem cerimônia na tenda redonda, esperando encontrar os homens dormindo, ou conversando. No entanto, tudo o que encontrou foram caixas, barris, e partes de monstros, cuidadosamente selecionados. Ele coletava a maior parte dos espólios, dos quais a coroa receberia uma parte, e lembrava que Phillipa fizera constar no contrato de casamento que ela poderia amealhar despojos em nome próprio.

Estupefato com a quantidade e qualidade dos itens, ele se perguntou se não estaria sendo lesado pela esposa e sua família. "Ren, isso aqui não é demais?"

"Não é demais não, pode perguntar diretamente à mim, esposo" Phillipa retrucou, vestida de calça, camisa e botas, os cabelos escuros molhados, cheirando ao seu sabonete perfumado predileto.

"Esposa, essa tenda enorme só com espólios seus, e mal chegamos ao norte propriamente dito..." Sterling examinava uma caixa de espólios de morcegos de fogo.

"Não se preocupe, marido, você ter, em números absolutos, oito vezes mais itens do que eu!" e ela se aproximou, tomando-o pelo braço. "Aliás, alguns desses cristais eu pretendo transformar em jóias. Esses couros e peles de monstro, eu pretendo transformar em uma nova armadura para nós dois, mais leve, fresca e flexível..."

Ren a observou conversar animadamente com o esposo, enquanto o tirava de dentro da tenda. Sozinho com Karl e o escudeiro, eles puderam apreciar a coleção de valor elevado que eles tinham reunido. Os Onze de Cassel eram os mais arrojados e mais letais, mas também eram os que melhor sabiam como aproveitar uma carcaça de monstro para obtenção de materiais mágicos, inclusive de alto valor e escassez.

"Não vou lhe criar problemas diante das tropas. Se eles me respeitarem, eles vão me obedecer, portanto, não vou interferir na reunião hoje. Mas tenho um pedido a fazer... você pode considerar, meu querido esposo?

Um pouco atrás do casal, Ren viu a moça tocar o braço do duque com leveza, os dedos adejando, o corpo bem próximo, como se pedisse a ele proteção. Daquela distância ele pode ouvir a mulher pedir ao marido que a ajudasse a despertar a magia latente dos legionários, e de quem quer quisesse em Sollisburgo.

"Por quê eu faria isso, mulher? Enlouqueceu de vez!"

"Meu marido, a esmagadora maioria dos usuários de magia são nobres. Os poucos plebeus que nascem com o dom, recebem o estigma de bastardos de alguém - até quando não são, quando são apenas mutações. Ter contato com magia, e um controle rudimentar de qualquer elemento, já faria com que nossa legião valesse por dez mil homens. E existem aplicações mágicas úteis ao fazendeiro, ao pastor, ao pequeno trabalhador das áreas mais afastadas"

Diante da expressão reticente do esposo, ela completou "E, se essa idéia der certo aqui, podemos aperfeiçoar e levar para o seu sul natal. Lembra que em Cassel nós já estamos despertando magia nos habitantes e os educando no seu uso"

"Tudo bem, conversaremos sobre isso mais tarde, em Sollisburgo." e ele a abraçou.

A reunião com os capitães dos pelotões da legião terminou com a leitura do relatório de Phillipa acercada Casa Sollis, onde instalariam o novo portal para o norte. Estavam deixando os desfiladeiros que marcavam a transição da Garganta para o norte. Eles trilharam uma estrada tortuosa pelas terras altas da Cordilheira do Dragão, onde ela era mais baixa, caindo em falésias à oeste, e em uma faixa de terra ondulada, que terminava em falésias a leste. Somente então desciam a um plano mais baixo, à nível do mar, e nessa região, de clima quente, com apenas duas estações por ano, uma mais amena e outra quente, chuvas no verão, e uma estação seca, capacidade para duas colheitas por ano, a sombra da cordilheira do Dragão à oeste, era o norte, que se estendia até o deserto.

Os primeiros meses de campanha seriam decisivos para definir hierarquia e sua posição de autoridade. Do alto de seu cavalo, sentia a sombra do planalto ficar para trás e o norte, quente e colorido se estendendo à sua frente.

Ela precisava compreender melhor a magia desse universo para viver o bastante e chegar à narrativa principal! Phillipa não tinha interesse em ter filhos, e, pensando nos Isekais, confiava que a história se ajustasse. O ponto de inflexão aconteceria de qualquer maneira: uma civilização de outro planeta invadiria o planeta, humanoide, semelhante aos antigos elfos míticos, e trariam um salto tecnológico e mágico brutal. No entanto, o atrito entre os invasores, que chegariam como deuses retornados, e os habitantes de Gaia Mater, como chamavam o planeta, era inevitável. Seria um conflito de espécies, magia e de capacidade de absorção de tecnologia, que simulava o espanto dos habitantes das terras diante dos conquistadores europeus à época das grandes navegações.

 Como alguém que conhecia as novelas e os filmes, a mulher se preocupava muito mais em aperfeiçoar seu domínio da magia e em criar estruturas de sobrevivência, do que com qualquer outra coisa. Por outro lado, a incerteza diante do sucesso a fazia temer deixar a chance de viver novamente a juventude passar em branco. Não queria mais pensar em voltar ao seu passado e mundo original, pois cada vez mais estava convencida que, na hipótese mais otimista, seu corpo de meia idade estaria conectada a um respirador e a equipamentos, e na pior, ela estaria morta de qualquer maneira.

“Em breve chegaremos à propriedade do Conde Sollis e montaremos um acampamento mais permanente; a partir daí, faremos uma patrulha antes de nos movermos. Isso significa que limparemos a terra, empurrando as feras para o norte e conquistando a confiança dos moradores locais. Estamos cientes das dificuldades enfrentadas pela população, mas tenho confiança que existem recursos que poderão ser recuperados rapidamente, com medidas imediatas, e isso será crucial para o sustento da nossa expedição a longo prazo.” Sterling aguardou as perguntas, afetando uma liberalidade entre seus comandados que era incomum entre a Alta Nobreza.

“Nós certamente temos recursos para irmos diretamente até a fenda, parando para instalar os portais, não temos? Não é inútil esse progresso lento limpando o terreno?” Karl, gambá velho, objetou.

“O portal dos Sollis foi destruído num ataque de monstros, e nada impede que instalemos um portal e ele seja destruído novamente. Nós temos suprimentos para ir, mas não para voltar sem o uso dos portais. Imagine que nós não limpamos o terreno, cumprimos o roteiro, e conseguimos obter sucesso! Alegria! Sobrevivemos! Vamos voltar!” – O Grão Duque explicou pacientemente ao velho amigo. A partir desse ponto, Reinfeld tomou a palavra e o poupou do desgaste de debater com subordinados: “No entanto, Sir, caso apenas um desses portais seja danificado, ficaremos presos com todo o trajeto cheio de monstros na nossa retaguarda e sem suprimentos para sobreviver. Melhor ir devagar, limpando o terreno, recebendo suprimentos aos poucos, e podermos retornar com rapidez e segurança.”   

“Esses sãos os meus planos para cumprir as ordens do Imperador. O nosso objetivo é fechar a fenda e voltarmos vivos. Podem levantar acampamento, e teremos um dia e meio de marcha forçada até lá, com poucas pausas.” Sterling encerrou as discussões, assumindo a responsabilidade pelas decisões.

 Phillipa puxou a manda da camisa de Ren, para lhe falar em particular. “Há muita coisa em jogo para todos nós. Preparei alguns presentes e uma carta, que enviarei aos meus enteados assim que instalarmos o portal em Sollis. Conto com você, Ren, quero que você reveja antes de enviar. Isto é pelo bem de Donovan. Acho que não conseguirei chegar à tempo do casamento do meu irmão” percebeu a expressão preocupada do cavaleiro e mudou de assunto.”E também quero ter você como patrulheiro, com o meu grupo. Você tem muita mana, pode dar uma melhorada substancial na sua magia de vento, o nosso negócio é não ser convencional! Você aceita?”

Por alguns instantes ficou em dúvida se ela se lembrava da noite deles juntos. Temia ser lembrado, tanto quanto odiava ser esquecido. Ela pedir que ele ficasse mais próximo de si, lhe deu alento. “Sou um Cavaleiro do duque, mas não creio que ele irá se opor a que eu saia em patrulha com os onze..” Ele estremeceu com a proximidade dela.

 Ela lhe entregou uma caixa, e beijou seu rosto, à moda nortenha. Se inclinou sobre ele e o beijou novamente na outra face. “Eu sei que é Cavaleiro dos Sterling, seu bobo. Você é um mago do vento, e pode ser melhor aproveitado como patrulheiro. Não precisa tocar no assunto com ele, se ficar desconfortável.” Não, se ela fosse honesta consigo mesma, teria de confessar que apenas apreciava a presença do cavaleiro do seu esposo, que se sentia bem e mais confortável e segura perto dele.  

 “Por favor, senhora Phillipa, não se amole com isso, eu darei meu jeito...” implorou ele. Cerrando os punhos, respirando com dificuldade, acanhado e receando que ela fosse envolvida em qualquer maledicência. Reinfeld entendia Sterling como um homem com uma auto-estima tão grande em relação à mulheres, que ele nunca se sentiu ameaçado por qualquer outro homem, no tocante aos seus afetos. Não sabia se o Duque havia sido traído, no entanto esse não era o ponto, o importante era que ele jamais se sentiu inseguro em toda a sua vida. Não queria que ele direcionasse um ciúme recém descoberto à sua amada, e que ele tivesse de tomar atitude, tão cedo!

 Eles deixaram o Vale e finalmente cruzaram a Garganta do continente, adentrando o verdadeiro norte, atravessando os marcos de pedra da Casa Sollis. Sterling avisou ao Lorde local que estavam em marcha rumo ao solar de sua casa e acampariam nas proximidades da vila de Pauferro, mas que avançariam lentamente, pois iriam caçar e patrulhar ao longo do trajeto, pedindo que seus vassalos e líderes locais fossem informados e colaborassem com sua passagem.

Era chegada a hora de guardar os pesados mantos e peles. Os legionários que teimosamente se mantiveram com armaduras de aço começaram a sentir calor excessivo sob o sol da tarde, apenas para congelar novamente à noite. Os que aceitaram os ensinamentos do povo da Garganta estavam se saindo bem melhor, tendo vendido suas armaduras metálicas em troca de malhas de corrente e couraças escamadas mais leves, típicas dos nortistas.

Como estavam, a legião mais parecia um bando de mercenários do que um exército regular.

O Duque organizou grupos de caça que marchavam à frente do corpo principal da legião, que carregava suprimentos e atuava como retaguarda. A cada vinte e quatro horas, outro grupo era enviado à mesma área, para resgatar o primeiro caso houvesse perigo, manter pressão ou simplesmente substituí-los.

Sir Ren pediu para acompanhar o grupo de Lady Phillipa, a fim de aprender as práticas de caça do norte, e Donovan consentiu. Phillipa movia-se rápido, e Ren não entendia de imediato a lógica de suas ações.

Ela e os seus utilizavam magia para rastrear criaturas nos arredores. Ao sul da Garganta, apenas magos faziam isso — e raramente combatiam —, mas o cavaleiro estrangeiro ficou atônito ao ver Jay e Joy desaparecerem pela floresta e retornarem com informações precisas sobre um acampamento de kobolds. Os caçadores eram usuários de magia de Terra, cujas manas haviam sido ampliadas por artefatos criados por Phillipa. Ele ficou bem impressionado com a velocidade e com a precisão do trabalho dos dois.

Lorne, mais um que se criou em Cassel, explicou que eles treinavam sua sensibilidade à mana e, utilizando sua afinidade com a Terra, seguiam as assinaturas das criaturas através do solo ou da vegetação, conforme suas habilidades. Os que tinham afinidade com o vento envolviam o grupo com encantamentos de silêncio, e então se dividiam em pares, cercando o bando de vinte monstros — que haviam montado um acampamento bastante organizado, com até mesmo filhotes.

Phillipa chamou Ren para perto de si e instruiu Lorne a formar dupla com Oliver, pois ambos tinham magia de Terra mais forte e aguentariam mais golpes. Os quatro caçadores locais prepararam seus arcos. Ao sinal de Phillipa, a caçada começou.  Ela olhou para o Cavaleiro do Sul, com uma expressão ansiosa e excitada no rosto fino e anguloso, e ele imediatamente notou que ela já não operava mana de maneira natural, pois entrara em modo de caça. "Ren, guarde a minha retaguarda, pois eu tenho de organizar o campo"

Calças de tecido leve, não muito justas ao corpo, com bolsos na altura do bumbum, bolsos na altura dos quadris, bolsos grande na altura do metade da coxa, todos com botões. Cinto para suas adagas, e bandoleira para sua pistola Ela usava botas até os joelhos, de solado macio, e acolchoadas por dentro, especiais para longas marchas. Os seios estavam enfaixados suavemente, com tesão suficiente para conforto, e usava uma camisa masculina de um linho muito fino, e um colete de algodão, com alguns bolsos. A capa de chuva e de atalaia, bem como mais munição e sua bolsa de patrulha ficaram escondidos numa pedra, que servia de ponto de encontro para eles, caso alguma coisa não funcionasse. Lipa se comportava como qualquer um dos outros caçadores, e parecia feliz.

Joyce e jay, os batedores, descreveram o grupo de monstros cinomorfo, como criaturas, semelhantes a cães antropomórficos que possuíam polegar opositor e eram capazes de usar ferramentas e se organizarem em pequenos acampamentos de duração variável, O grupo em questão parecia muito próspero, e isso era suspeito, pois a vasta maioria dos monstros são competitivos, por natureza, e conseguiam se comunicar de maneira racional com outras espécies. Os monstros  investiram contra Lorne e Oliver, que se firmaram com escudos aumentados por magia de Terra, enquanto os arqueiros despejavam flechas do alto. Jay e Joy entraram na briga com lanças, atacando as fêmeas e os filhotes.

As fêmeas, rosnavam enquanto mostravam as presas afiadas, e lançavam pedras usando fundas. Sendo criaturas mágicas, conseguiam infundir atributos de terra a qualquer material, alterando a composição de rochas e metais, portanto, mesmo um pedregulho poderia ser letal, cortar um tronco de árvore ou decepar uma cabeça. No combate corpo a corpo, um kobold ainda imaturo, poderia facilmente dominar dois homens adultos.

Phillipa apoiava os seus homens, emprestando sua mana e fortalecendo as armas, enquanto protegia a retaguarda. “Com certeza você ja matou alguém com magia?” — perguntou ela, com olhar sanguinário e concentrado. No entanto, ela se encontrava hipnotizada pelos movimentos do esquadrão.

Ela respirava profunda e lentamente, tentando controlar a euforia da batalha. Ela manobrava seus colegas como quem distribui peças em um tabuleiro, usando combinações de magia com efeito espacial. Os mesmos movimentos de teletransporte rápido, podia ser usado contra os inimigos, empurrando objetos para dentro do corpo do adversário, ou fazendo com que apenas parte do adversário ficasse presa em troncos de árvore, edifícios, rochas: era uma morte feia, essa que ela testou mirando nos maiores machos que golpeavam os escudos de Oliver e os envolveu em um redemoinho. Foi tão rápido que Ren precisou revisitar a cena mentalmente várias vezes para compreender o que ela havia feito. Ela sugara o ar de dentro dos monstros, matando-os ao sugar seus órgãos com tamanha violência que explodiram.

Os monstros mais próximos ergueram a cabeça, sentindo que havia um predador superior no meio daquele bando que os atacavam, e rapidamente abandonaram a prole, e buscaram fugir. Era fundamental cortar as rotas de fuga!

Ela gritou para Ollie e Lorne irem ajudar Jay e Joy, e abriu um caminho entre os pontos em que os dois estavam e os outros companheiros: buracos de minhoca, que faziam com que o esquadrão pequeno, parecesse presente em todo o campo de caça.

“Seu uso de magia espacial é bem criatuvo, senhora?” — suspirou, impressionado.

Ela não podia contar que tudo vinha dos livros que lera, dos filmes que vira antes de reencarnar; era uma questão de conectar os pontos. Disse apenas:
“Magia é imaginação, é sentimento, está nas entranhas. Se você é guerreiro, caçador, ou ambos, abrace isso, e seu poder só crescerá.”

Ren desviou as setas disparadas contra a senhora. Enquanto afastou uma flecha, sentiu uma mão pesada e enorme puxando seu ombro e deu de cara com um macho adulto, enorme. A fera o empurrou para o chão, e saltou sobre ele, as garras como dez cinco foices rasgando sua carne. Seu corpo, reagindo por instinto, começou a se transformar no ser inumano, e estancou o sangramento, causando espanto na fera, que arregalou os olhos, chocado ao perceber estar diante de um predador. Ren, segurou a enorme pata presa em seu ombro e girando o corpo, projetou o kobold num arco sobre si, fazendo com que caísse de costas no chão. Com a força de suas mãos, quebrou o braço do monstro e decepou a mão que o tinha agredido, e se preparou para saltar sobre o monstro caído, quando viu uma esfera de vento engolfar a criatura e ela explodir no seu interior, as suas entranhas sugadas para fora pela diferença de pressão. Olhando para cima, encontrou os olhos de Phillipa, que havia abatido o monstro e lhe deu um sorriso estranho, febril, enquanto sacava seu bastão, e saltava adiante. Recuperado e ofegante, Ren a seguiu, guardando novamente sua retaguarda, o ferimento no ombro se fechando rapidamente.

Apesar de todos portarem armas de fogo, como pistolas, nenhum deles as sacou em momento algum, preferindo as armas brancas - lâminas - o arco e flecha, e a magia. Um tiro ecoaria muito mais longe do que os ruídos e gritos daquela escaramuça, e, de qualquer maneira, os traços de magia poderiam ser atribuídos a lutas entre bestas de mana, monstros, enfim, eles não queriam alertar e fazer com que outros alvos se movessem.

Lutando ao lado de Phillipa, ele se sentia em sintonia com ela. 'Ren, abre! Sai!" ele ouviu, e parou de lutar, permitindo que a senhora visse melhor outros alvos. Lipa sugou um monstro para dentro da terra, enterrando-o vivo.

"Ollie" ela gritou quando ele caiu diante de um macho enfurecido. Lipa fez que Oliver e Lorne escorregassem por um buraco de minhoca, surgindo no campo de caça atrás dela e de Ren. Sem pensar em nada além da vitória, Lipa e os rapazes limparam mais uma área conflagrada

No caminho de volta ao acampamento, ela traçou círculos mágicos segurança para que o duque enviasse a equipe de coleta.

O pequeno grupo caçava junto havia muitos anos e Ren pode sentir como eles se davam bem, uma sensação tão estranha que lhe atiçou o veneno do ciúme.

“Pelo amor dos deuses, Ollie, você está imundo!”, brincaram os companheiros, vendo o cavaleiro ensanguentado. “Você tinha um escudo, podia usá-lo como sombrinha!” Jayce o provocou.

“Senhora, ouvi dizer que havia uma pequena fazenda próxima ao acampamento. Podemos vasculhar a área amanhã? Talvez possamos recuperar a terra para os camponeses.” Joyce sempre pensava nos mais vulneráveis.

O rosto do homem indicava que precisava falar em privado com sua senhora, no entanto ela recusou, olhando Ren de soslaio.

“Senhora, a fazenda na verdade está habitada por humanos. Eles comerciavam com esses kobolds.” Aquilo não surpreendeu a ninguém. Algumas espécies de monstros eram inteligentes e podiam se relacionar em algum grau com seres humanos, a questão era a competição por recursos. “Parecem aventureiros.”

“Vamos descansar amanhã, Joy. Ainda estão recolhendo os espólios. Depois, varreremos a área, prometo. Você também precisa descansar. Devagar e sempre, meu amigo. Vamos retomar tudo.” Ela lhe deu um tapinha no ombro. “Vocês estão fedendo a sangue. Vão se lavar! Deixo isso ao encargo de vocês. Procedam como fazemos em Cassel.”

Os homens trocalham olhares entre si, e Ren suspeitou que eles agiriam sem a autorização do Grão Duque. "Como fazemos em Cassel", ela disse. Cada dia ela conhecia a jovem Duquesa um pouco mais e sabia que ela não suportava aventureiros não comissionados. Naquela situação, eles facilmente se apropriavam de locais abandonados, e se tornavam os senhores de territórios mais ermos e estabeleciam relações tirânicas com a população desprotegida.

O grupo alcançou a legião na metade da manhã seguinte, em plena marcha. Depois de indicar nos mapas a localização das carcaças, cada um achou uma carroça aonde se enfiar e cochilar depois de dois dias patrulhando ao redor do trajeto planejado. 

Quando Sterling sentiu falta de seu cavaleiro pessoal, o encontrou adormecido, exausto, numa das carroças de suprimentos, em meio a sacos de grãos. Fincou os calcanhares no cavalo e buscou sua esposa, que dormia encolhida na carroça que levava a carga pessoal do Duque. "Onde estão os outros, Karl?" perguntou ao seu cavaleiro mais velho.

"Sua Graça me perdoe, mas essas raposas mais parecem ratos. Se chegam durante o dia, se enfiam em qualquer canto e dormem, Já desistimos de reclamar."

"Eles não tem as próprias carroças de carga?" O duque se levantou na sela, buscando o estandarte das raposas e o avistou, mais atrás, na longa coluna.

"Ah, tem, mas isso não importa para eles, exceto quando acampam." o cavaleiro riu debochado,"Reinfeld parece estar pegando os mesmos hábitos."

"Bom, acho que chegaremos logo a Sollisburgo, pois já passamos de Pauferro." Donovan já avistou pequenos sítios, casas em ruas perdidas no meio do que ele julgava ser lugar nenhum, algum comércio à beira da estrada, a maior parte fechado.

Uma cidade não começa a partir de uma linha definida, ela vai crescendo e se esticando, como se lançassem gavinhas, galhos e raízes para longe de onde a semente de onde elas brotaram fora lançada. E no norte, os castelos eram inexistentes, ou haviam, no máximos muralhas e alguns fortes. O calor, a umidade, as florestas, abundantes na maior parte do território talvez tivessem devorado tudo, quem sabe?

A noite chegou mais tarde, como era comum num verão, e o tempo firme facilitou que pausassem a marcha sem acampar. A estrada se encheu de fogueiras, os homens alimentaram e deram água aos cavalos, permitindo a eles merecido descanso. A maioria comeu o que havia de ração, e outros resolveram cozinhar uma sopa para acompanhar, no entanto, o sentimento comum era de cansaço e a saudade de dormir em camas de verdade, de banhos, e da sensação de um teto sobre as cabeças. 

Mesmo as lavadeiras e prostitutas estavam quietas e exaustas, quase sem clientes, naquela última noite antes de entrar na primeira cidade do Norte. Márcia Oleana, ou Márcia Cabrita, a líder delas, havia se tornado conhecida de Phillipa, e passou a aceitar as ordens do Clérigo Wesley e do Mago Branson, assim, procurava fazer com que as mulheres não engravidassem e ajudassem a controlar as doenças dos homens. Comparado com outras campanhas, a legião era relativamente respeitosa com suas seguidoras, que podiam ser, além de putas, lavadeiras, barbeiras, catadeiras de piolhos, exterminadoras de percevejos, vigilantes de parasitas, verminoses, e outras doenças nos legionários, já que quase todos passavam por elas, por algum motivo. Eram verdadeira vivandeiras, em relação simbiótica com aquele monte de homens em viajem.

Por ordem da “duquesa”, medicamentos que suspendiam os ciclos menstruais foram distribuídos. Lady Sterling, nascida Cassel, não permitiria que a legião deixasse bastardos em seu rastro. Houve atrito com o clérigo-apotecário, mas Phillipa venceu, prometendo o envio de matéria-prima assim que o portal fosse instalado em Sollis. Depois da mal afamada briga, o jovem e um tanto efeminado Clérigo Wesley se tornou auxiliar pessoal da Duquesa, às vezes caçando ao lado dela.

Nem todas as patrulhas de caça eram bem-sucedidas, e muitos retornavam feridos ao acampamento, exigindo tratamento. Com exceção dos Onze de Cassel.

Quando Sterling perguntou a Ren sobre os métodos de caça de sua esposa e sobre seus poderes, a resposta veio com um vazio desconcertante — algo raro naquele cavaleiro confiável.

“Não saberia descrever, meu senhor. São caçadores, como uma matilha que funciona bem juntos, acho que é só isso” Esse resumo não foi o bastante para satisfazer a curiosidade do Dique, que insistiu, “E os poderes dela?.

“Ela tem me ensinado formas criativas de usar magia espacial de maneira ofensiva. É… interessante. Além disso, ela evita, ao máximo, usar a magia de forma a causar risco aos seus companheiros.” Ren era discreto, mas também sentiu que ele tinha o privilégio de guardar a retaguarda de Phillipa, quando caçava com ela, e não queria partilhar isso com o Duque.

Foi a primeira vez que o duque sentiu a ferroada do ciúme em seu peito. Não era ciúmes, tentou se convencer, dizendo a si mesmo que ele nunca a achara atraente. Phillipa vestia-se como um homem, e ao retornar de patrulhas estava sempre coberta de lama ou sangue de monstro. Ainda assim, o olhar discretamente sonhador de Ren o inquietou. 

Intrigado, Donovan percorreu o acampamento e viu Phillipa conversando animadamente com os caçadores Cassel. Observou Ren aproximar-se do grupo e notou sua expressão mudar. Não era apenas camaradagem. Era cumplicidade.

E então percebeu os olhares que alguns dos homens lançavam sobre sua esposa. Sua esposa comum, de cabelos presos e roupas de tecido leve, nada mais do que uma jovem da idade que realmente tinha. Mas algo nela os unia.

Ao contrário do resto das tropas, Sterling não dormia ao relento, mas numa tenda de lona simples, onde cabiam ele e sua esposa. Depois de se lavarem, no espaço de lavatório coletivo, ele aguardou Phillipa entrar, em silêncio. A lamparina iluminava o interior da tenda, onde mesmo Phillipa mal conseguia ficar de pé. Ela entrou e se atirou no futon, com as roupas largas, e imediatamente, retirou a blusa, para soltar a bandagem que lhe protegia os seios. Donovan viu as marcas na pele da mulher.

"Você usou isso por dias. Tirou para fazer asseio, e recolocou. Agora está tirando. Esse troço não corta, não?", perguntou, enquanto deslizava os dedos calejados sobre a pele vermelha nas costas dela.

"Nossa, e como! É uma das situações em que eu gostaria de poder não ter seios, e poder correr sem eles balançarem, pesados."

"Não coloque a blusa ainda não"

Os seios dela pareciam mais inchados, como que indignados do tempo que passaram presos. Todavia, ele sentia uma certa raiva daquela moça que havia passado quase dois dias fora, patrulhando e caçando com dez homens, e que havia cochilado de tarde numa carroça. Ele estava furioso com suspeitas de que ela tivesse se divertido em outros braços, ou então que algum outro homem ousasse tocar nela. Ela pertencia a ele, assim como aquelas peles onde eles estavam deitados, como os cavalos que cavalgavam, como Ninho dos Corvos, exatamente como descrito no contrato de casamento e consumado.

"Phillipa, tire o resto da roupa," O homem a olhou com ferocidade, o tom de voz baixo e firme, as mãos já abrindo as calças. Ela, surpresa, perguntou "Como?", mas ele não explicou nada, apenas, a fez tirar a roupa, e a colocou de quatro, com a lamparina acesa, e disse, para apenas ela ouvir "Você é minha mulher, eu preciso de você agora, você passou tempo demais longe de mim."

Ainda seca, em função da falta de preliminares, e com a diferença de altura, ele a colocou de bruços sobre roupas e peles, e cuspiu no pau, enfiando com um pouco de dificuldade na buceta apertada. Apesar de si mesma, ela logo ficou úmida, e ele, com ela presa sob si, arremeteu com força e vontade.

Segurando o gemido e ofegante, Phillipa foi tomada pela sensação da penetração, que não era ruim, e a humilhação de ser tratada como uma pessoa sem vontade, um buraco no qual ele enfiava o pau e enchia de esperma.

Apoiando-se em um dos braços apenas, ele a puxou pelos cabelos, fazendo com que ela virasse o rosto e olhasse para ele. Ela viu o rosto dele com barba de quase um mês, grande, e um tanto desgrenhada, cheia de fios brancos, os cabelos ruivos crescidos, caindo em cachos sobre seu rosto, as rugas ao redor dos olhos, que a olhavam fixamente, e, por alguns minutos, temeu que ele lhe quebrasse o pescoço e juntou magia em suas mãos, para rechaçá-lo. Felizmente, ele ejaculou, metendo tão fundo, que ela sentiu dor, 

Quando sacou a verga de dentro dela, jogou uma toalhinha para ela limpar a porra que escorria, e a puxou para perto de si, um tanto sonolento. "Você é bem justinha, e nessa posição fica ainda mais apertadinha, garota."

Ela apagou a lamparina e colocou uma blusa. Qualquer um que estivesse perto teria visto a silhueta dos dois trepando, pior, dela servindo o duque, como uma boneca, como um escudeiro que serve ao mestre. Sem um toque de carinho ou respeito, sem afeto, só a vara despejando porra na sua buceta.

Deitada ao seu lado, pensava no seu contrato de casamento, revisando cada um dos artigos, sonhando com o dia em quem estaria livre. Cada monstro morto, era um pequenino passo em direção a sua liberdade.


Capítulo XXI

O ruído dos cascos dos cavalos, trotando sobre as ruas de pedra, as carroças cheias de carga, os estandartes hasteados diante de cada pelotão, distinguindo as diferentes Casas Nobres: a legião do Sul entrou em Sollisburgo como uma espécie de parada militar que chamou os seus habitantes às janelas e às ruas. 

Não foram recebidos com sorrisos, ou com acenos festivos, mas sim com olhares desconfiados, e um burburinho característico de pessoas que antecipavam desconforto e problemas. Guiados pelos guardas da cidade, os pelotões foram sendo distribuídos para os locais onde ficariam alojados, enquanto O Grão Duque, sua esposa e seus três cavaleiros pessoais se dirigiram diretamente à mansão dos Sollis.

Phillipa observou como a cidade não tinha muros, ou uma fortaleza, talvez por ser nova, e não ter sido criada na esteira de conflitos armados. À direita do marco de entrada da cidade, junto à estrada, os pilares do portal espacial haviam desaparecido, provavelmente destruídos, e retirados, e os armazéns estavam bastante danificados. 

Não era preciso conversar com Donovan, pois ele certamente tinha observado as mesmas coisas.

O verão trazia o cultivo dos campos mais seguros, e, com o abate em larga escala das feras que a legião levou a cabo, a região poderia reclamar mais áreas de cultivo, muitas delas abandonadas nos dois anos anteriores. Os bosques e florestas, ao redor de rios e riachos, e em pequenos vales, estavam mais seguros, e, dali para frente, seriam limpos.

Dezenas de aventureiros cruzaram o planalto em direção ao norte no ano anterior, enquanto centenas e milhares de pessoas fizeram o caminho inverso, buscando abrigo e oportunidades mais ao sul. Onde estavam esses aventureiros agora? Haviam visto poucas pessoas, e elas se mantiveram distantes do acampamento, temerosas: Lipa tinha certeza que muitos desses aventureiros se tornaram monstros, apenas de outra categoria.

Sollisburgo fora uma cidade pequena, comparada às cidades do sul, porém próspera, há até bem poucos anos. Suas ruas centrais tinham calçamento de pedra, e eram relativamente largas, com casas de dois e três andares, com lojas no térreo. Outras ruas eram residenciais, com pequenos edifícios de apartamentos, de três ou quatro pavimentos, razoavelmente elegantes, de portas e janelas altas, com gelosias e venezianas, que pareciam bem ventilados, e também casas, com quintais e jardins grandes, indicando uma pequena classe burguesa e de artesãos que tinham alcançado alguma estabilidade financeira. Havia escolas e um hospital pequeno, e um teatro, que embora também pequeno, tinha uma arquitetura interessante, famosa pelo teto se mover no verão, e ter, por dentro, a estrutura de um anfiteatro.

Armazéns amplos, perfeitos para artigos agrícolas, uma estrada grande que levava ao planalto da garganta e outras que a conectavam ao resto do norte. Principalmente um Portal Espacial, que podia levar cargas diretamente ao portal de Ília.

Infelizmente, o Portal havia sido destruído num ataque de orcs que deixou parte da cidade em ruínas, sem contar os campos. A quantidade de mortos e feridos foi grande, e apenas com o esforço conjunto de moradores e de um grupo de aventureiros, conseguiram rechaçar o avanço dos monstros. Uns poucos monstros causaram uma devastação tremenda. Alguns desses aventureiros eram os guardas que os estavam recebendo, outros tentaram a sorte mais ao norte. Esses aventureiros eram quase todos naturais da garganta: aparentemente, a ambição desmedida era característica dos sulistas.

Quando o Conde Sollis pediu socorro à Coroa, recebeu silêncio, indiferença, descaso.

Foi então que as Raposas ofereceram auxílio em forma de uma rota segura para o sul. Apesar de ser um caminho longo, os caçadores da garganta conseguiam garantir alguma segurança nas montanhas, e o pouco que conseguiam produzir era escoado em carroças e no lombo das mulas até o planalto até Cassel. Além do mais, a visita constante dos caçadores intimidava os aventureiros, e empurrava os mais ambiciosos mais para o norte. O preço era o material dos monstros caçados e prioridade de acesso à produção. 

 O Conde Marcus Cassel era um homem sereno e ponderado, cuja fama de fraco e covarde não era merecida. Ele se mostrou confiável, e leal no momento mais difícil, mesmo não sendo um nobre rico, e isso não podia ser esquecido.

 Sollisburgo, meio abandonada, abriria as portas das residências vazias, para os membros da legião descansarem enquanto instalavam o novo portal, que deveriam revitalizar a cidade. A legião vinha como uma transfusão de sangue. Aquelas terras, vassalas da Casa Sollis, estavam sendo pouco a pouco liberadas da presença de monstros, e estariam aptas e receber novamente seus habitantes. 

Herman Sollis era um conde, com dois barões como vassalos. Seu pai falecera no ano anterior, defendendo suas terras contra monstros e saqueadores de outras regiões. Um de seus vassalos também perecera, deixando apenas uma filha, que vivia na capital do império com os avós maternos. O outro era um rapaz de dezoito anos, cujo pai morrera da mesma forma que o de Herman. Da sua janela no segundo andar da mansão, viu o pequeno grupo do Grão Duque se aproximar, e ao lado dele, a jovem duquesa, Phillipa Cassel-Sterling.

"Minha mãe errou muito em não ter assegurado a mão dessa moça para o inútil do meu irmão.", ele pensou, lembrando da moça de aparência mediana, e de educação pouco adequada à alta nobreza, que ele conheceu no Castelo Cassel há alguns anos. A garota não se portava com boa etiqueta, e não deu atenção ao seu irmão, preferindo sair para treinar com os cavaleiros magos. Aquilo selou a opinião de sua mãe sobre ela: "isso é uma ferinha!"

"E agora a ferinha cavalga ao lado do Grão Duque Sterling, membro da Casa Real, e é uma das magas mais poderosas do reino..." murmurou, enquanto descia as escadas para receber os hóspedes no salão principal.

Olhando ao seu redor, sentiu um pouco de vergonha pelo estado de sua casa.  Aquelas terras haviam sofrido com derramamento de sangue, fome e doença; boa parte dos camponeses abandonaram suas vilas, rumando para o sul. Herman não fazia ideia de como liderar os esforços de reconstrução. Seu solar estava em ruínas, em péssimo estado, e ele vivia com a mãe, a esposa e o filho pequeno. O diálogo com os Cassel fora valioso nesses anos críticos.

Não havia gratidão no semblante do Conde Sollis ao receber o séquito do Grão Duque Sterling. Seu semblante severo suavizou-se ao avistar o brasão de Cassel nos peitos de Phillipa e Oliver. Durante aqueles anos difíceis, os únicos em quem puderam confiar eram os raposas, que enviavam os suprimentos que conseguiram poupar e recebiam refugiados do norte devastado sem reclamar.

A gratidão dos Sollis era também fruto da culpa de terem durante muito tempo deixando os Cassel de lado, fazendo negócios diretamente com a Coroa, pelo portal de Ília e com a cidade de Ponta Areia no litoral leste da Garganta, via o Barão Poiret, que não levantara um dedo para os auxiliar, uma vez que as coisas ficaram difíceis. "Ah, mamãe, Poiret não nos ajudaria em nada, mesmo que Harold tivesse se casado com a sua filha. O homem não joga para perder.", pensou, olhando para o semblante duro e arrogante de sua mãe.

Não as Raposas da Garganta que, do alto do seu castelo na entrada do planalto, lideraram uma resistência ao surto de monstros, que criou um mínimo de linha de socorro mereciam respeito e deferência. Ele acolheu o grupo em sua ampla sala de jantar e desculpou-se pela pobre refeição que tinha a oferecer. "Receio que só posso me orgulhar do vinho, pois ao menos as adegas permaneceram intactas."

Sua esposa, uma mulher de vinte e cinco anos, trouxe-lhes vinho e iguarias de inverno, como queijos e frutas secas, e saiu para buscar o artefato de comunicação, uma esfera de mana.

“Estou feliz em lhe ver novamente, Lady Phillipa. Agora é uma famosa Maga Raposa, da Casa Cassel. Não acreditei quando seu pai disse que você se casara com a Casa Sterling; casas do sul raramente se casam com as nossas, quanto mais com uma casa ducal, mas não deixa de ser merecido. Vejo que você se casou com o atual Grão Duque em pessoa. Parabéns, Lady Phillipa."

“Obrigada, Conde Herman. Faz tanto tempo desde que nos vimos! Eu era uma criança, e você era recém casado! Notei que Lucille continua tão bela quanto antes!”

“Concordei com meu sogro em deixar que as casas da garganta e do norte resolvessem as questões de reconstrução, Conde Herman." Sterling interveio na conversa, tão cortês quanto sempre.

“Pelo que entendi, o Sol do império enviou tropas, mas não planejou a reconstrução; apenas enviou tropas, mas não enviou suprimentos ou... bem, não quero cometer traição. Ouvi dizer que vocês coletaram uma boa quantidade de cristais de mana e espólios de monstros, Sua Graça.”

“Sim, coletamos. Esta é uma legião de mil homens, mais seguidores, então não posso garantir que não haja espiões- olhou de soslaio para Phillipa - Mesmo assim, pretendo cumprir minha palavra com os senhores da Garganta e usar os lucros da caçada para ajudar estas terras."

Lucille e um mago idoso depositaram um cristal de comunicação sobre uma pequena almofada de veludo rôxa, na mesa diante do grupo. O mago recitou o encantamento e projetou sua mana sobre o cristal, iniciando a comunicação. Uma pequena nuvem se ergeu em volta da pedra, e nela era possível ver uma parte da saleta privada de Marcus Cassel, porém o primeiro rosto a surgir foi o de Paul. 

“Phillipa?” — o rosto de Paul surgiu, sombrio, na esfera de comunicação.
“Paul, meu querido! Como estão você e papai?” 
“Estávamos aflitos por você.. Eu precisava ver seu rosto, minha amada!” A voz de Paul ficou embargada, e seu rosto se aproximou mais do cristal da casa Cassel, fazendo sua imagem ficar maior e mais nítida.
“Seu bobo!” — o rosto do irmão suavizou algo dentro dela. “Meu marido, o Conde Herman, e seus vassalos estão aqui. Vou deixá-los conversar, há muito que discutir. Conversaremos depois e você me conta do seu casamento.”. A menção do casamento tirou o sorriso do rosto do jovem, que recuou e deixou que os outros se aproximassem.

Não era apenas a distância que os separava, algo se partiu entre ele e Phillipa, e a imagem da irmã, mais magra, claramente cansada, pequena em meio àqueles homens grandes, o fez se sentir impotente e fracassado.

 Ela pediu licença, deixou sua bagagem a cargo das servas designadas para servi-la, e, ao invés de repoisar, montou em seu cavalo e foi avaliar o sítio do portal. Segurou as lágrimas, pois era dolorido ver o rosto do seu primo e amante depois de tanto tempo, ainda mais sabendo que ele se casara logo depois da partida dela. Marcus conseguira seu intento, ela refletiu com amargura, a enxotou de Cassel, dominou a vida do filho, e fez de ambos peões no seu jogo.

Ela se dirigiu até o local, na da vila, onde estavam erguendo os pilares do portal. Aquele portal poderia economizar o tempo de viagem entre Cassel, Ília e Sollis — e era capaz de suportar cargas tão ou mais pesadas do que o portal de Ília, graças aos melhoramentos implementados por Phillipa, Roster e seu alquimista —,  era, portanto era um avanço extraordinário.

Além do mais era possível operá-lo em uma rede interligada com os portais do império, e, secretamente, apenas com os portais ligados ao Castelo Cassel, com a o encaixe de um sigilo no lugar do sigilo padrão, permitindo cargas ainda maiores, já que a operação era em uma rede de mana mais restrita.

Os magos e engenheiros trabalhavam arduamente para instalá-lo o mais rápido possível. A jovem Maga da Casa da Raposa não se sentia à vontade perto das duas damas da casa, ambas tão corretas e afetadas, e esperava poder manter distância delas o quanto fosse possível.

As pessoas da cidade aproveitaram a presença dos homens para comerciar o que podiam, ofereciam alimentos, roupas, consertos de roupas, sapatos, estadia em suas casas.

Bares que estavam fechados foram reabertos, para entreter os legionários, e muitas mulheres e moças foram se oferecer em troca de uma renda à mais.

Naquela noite, muitos continuaram a dormir em suas tendas, enquanto o Conde organizava acomodações para os nobres de maior patente da legião e preparava quartos em sua própria mansão para o Duque e seus auxiliares mais próximos.

O Solar dos Sollis era na verdade um palacete amplo, de três andares, em forma de retângulo em torno de um pátio interno. Nunca fora um castelo, e sim uma enorme casa familiar onde gerações da família Sollis viveram juntas. Não havia sequer portões externos! Em vez disso, havia um belo jardim, cocheiras nos fundos, um galpão para barcos,  e uma pequena estufa que havia trocado as flores, pelas plantas de mana e medicinais, por orientação dos Cassel.

Situava-se às margens de um rio de águas muito claras, embora parecessem negras à distância, devido à areia e às pedras no fundo.

O jardim estava em completo abandono, assim como toda a propriedade, mas ainda mantinham as cavalariças e os cavalos saudáveis e bem alimentados — um luxo, considerando os tempos difíceis que a região enfrentara. Essa área foi muito útil para a legião, pois puderam cuidar dos seus cavalos nesse espaço, usando dos ferreiros, e do trabalho de cavalariços experientes.

Mestres de Cavalaria ficaram felizes com as cavalariças, uma vez que poderiam dispor de um local amplo para cuidar da saúde dos cavalos da legião. Muitos precisavam ser casqueados e ferrados, e de descanso.

O Conde e os conselheiros da vila permitiram que as casas e chalés vazios fossem ocupados pelos legionários, que fariam pequenos reparos em troca do uso. Assim, quando partissem, estariam em condições razoáveis para receber novos inquilinos, que poderiam retornar imediatamente pelo novo portal.

A Condessa Viúva conduziu Phillipa até seus aposentos: um quarto amplo no segundo andar, com vista para o rio, uma cama com dossel e um banheiro privado, que — segundo ela — fora usado pela realeza décadas antes, durante uma visita ao norte. Há tempos Phillipa não ouvia o farfalhar constante de vestidos ao seu redor — aquele swish swish que sempre lhe pareceu desagradável.

“Presumi que traria uma criada consigo, Sua Graça, mas não vi nenhuma em seu séquito. Seu pai enviará alguém, uma vez que o portal esteja instalado?” — a dama, vestida de preto, com os cabelos grisalhos em um coque apertado e a pele enrugada, destilava veneno em cada sílaba.

“A senhora deve ter interpretado mal minha visita, Lady Sollis. Não vim ao norte em excursão social. Vim caçar monstros. Meus caçadores recolhem nossas roupas e as entregam às lavadeiras. Eu não tenho tempo para essas frivolidades, tampouco traria uma criada que não pudesse se defender sozinha num acampamento.”

A velha mantinha as mãos juntas sobre seu vestido, a postura ereta, e um ar de superioridade que não condizia com a situação de uma família que estava recebendo socorro. Olhava para Phillipa com o desprezo que dedicaria a uma rameira.

“Teremos jantar esta noite, todos no salão principal. E, aliás, não sei como Marcus conseguiu para você um casamento acima da sua posição... mas conseguiu se livrar de você. Espero que o Duque saiba com o que se meteu.”

“Não cuspa no prato que come, velha bruxa. Aliás, com toda a etiqueta que sempre me criticou por não ter, você deve se referir a mim por Senhora, Sua Graça, algo assim, não?”. – Provavelmente aquela megera chegou a conhecer o seu avô e até a sua mãe, no entanto, em termos hierárquicos, agora Phillipa lhe era superior e não teria pudor em pisar nela. – “Lembre-se que o convidado de honra exigiu compartilhar o quarto comigo. Seja gentil e mande me chamar Sir Elton... e uma de suas criadas para me servir.”

“Fico feliz que George tenha desistido de casar nosso caçula com você!”, a velha arrematou.
“Eu também. Hermann e Harold são boas pessoas, mas, sejamos francas, a senhora é um purgante.  E não foi ele quem desistiu, eu disse não”. 

Trinta minutos depois, Sir Oliver Elton e uma criada baixa e rechonchuda bateram à porta. Phillipa já havia separado todas as roupas que precisavam ser lavadas e consertadas — suas e do duque. Sir Ren cuidaria das armas e armaduras, mandando nos escudeiros.

“Ollie, assim que encontrar alguém pra cuidar disso, deixe com a pessoa e depois, trate de você também. Você está um caco. Amanhã tomaremos uma cerveja juntos, todos os onze,combinado?”

Era o meio da tarde, e ela mal havia comido, apesar disso, optou por tomar um banho, engolir uma poção e dormir. Acordou a tempo de vestir um dos três vestidos que trouxera: um longo vestido branco, de tecido muito leve, adequado ao clima quente e úmido do norte.. Não apenas o tecido era fino, mas o corte mais solto, apenas marcando o caimento das suas formas, o tornava fácil de usar, cobria os ombros mas realçava o busto e deixava o colo mais exposto, bem como seus braços. Prendeu o cabelo num coque e o adornou com uma presilha cravejada de pedras negras, combinando com um colar de ouro cujo pingente era uma pedra de mana negra, que brilhava com reflexos púrpura, praticamente viva. Usando pouca maquiagem — apenas delineador nos olhos e um leve toque de cor nos lábios —, Phillipa tinha a aparência fresca e jovem de uma moça que não tinha idade nem para debutar, contrastando com seu esposo, um homem de dois metros de altura, de ombros largos e musculoso, de rosto crestado de sol, ruivo grisalho, e profundos olhos verdes, cicatrizes e um nariz quebrado, mal consertado.

Quando entrou no salão de jantar, os outros convidados a olharam como se fosse uma estranha — o que era bastante engraçado, já que muitos deles já a haviam visto usando vestidos no castelo. Talvez estivessem na estrada por tanto tempo que se esqueceram de que ela era, afinal, uma jovem mulher.

As damas tentaram puxar conversa leve com ela, mas Phillipa não se interessava por administração doméstica, festas de chá e, menos ainda, por bebês. Ela preferiu discutir as necessidades femininas num acampamento — como lidar com o ciclo menstrual — e perguntou se havia como conseguir suprimentos femininos ou peças íntimas de reposição.

Quando a refeição terminou, os homens seguiram para outra sala para discutir assuntos importantes, e esperavam que ela seguisse com as damas — o que a feriu profundamente. Suprimiu a raiva e inventou uma desculpa qualquer para voltar ao quarto.

Ao subir sozinha, surpreendeu-se ao encontrar Sir Ren saindo do quarto dele e acenou com a cabeça.

“Vai dormir tão cedo, minha senhora?”

“Sim. Amanhã será um dia longo”. - Ficaram parados diante do quarto dele; o dela era mais ao fundo do corredor. Ren nunca tentou nada com ela novamente desde aquela oportunidade, lutando para controlar seus instintos.  Entretanto, não havia desistido dela, muito pelo contrário! A observava, vigiando seus passos, cada expressão no seu rosto, mudança de seu odor, e notou a animosidade da Condessa viúva em relação à sua amada. Tinha ganas de matar a velha.
"Notei que não está à vontade entre as damas. Está com saudade da caçada, não está?"
"O senhor é bastante observador, Sir Reinfeld. Sim, sinto falta de ficar à vontade entre os meus. A propósito, me parece que você já tomou bastante vinho, por favor, não exagere... e não deixe meu marido fazer nenhuma tolice. - Seu tom era triste, pois, no fundo, ela desejava estar tomando uma taça com eles.

Ele a deixou para trás e desceu para o salão. Sozinha no corredor, Phillipa suspirou, e entrou no quarto preparado para ela e o duque. Alguma criada havia deixado uma garrafa de vinho e duas taças sobre um aparador, e ela resolveu beber um pouco para relaxar, enquanto se trocava.

Sterling chegou ao quarto um pouco mais tarde, um tanto alcoolizado e de mal humor. "Está claro que eles me tomam como algum pervertido, porque você é muito jovem." – ele bufava, o cenho franzido, e atirou longe o casaco. "Meus homens não me questionam, mas os locais... ficam todos cheios de suspeita. A propósito, o que você está fazendo ainda vestida?"

Os poucos meses de casamento haviam-na ensinado que ele apreciava que ela demonstrasse estar sempre disponível aos desejos dele. O lado mais velho dela achava isso um tanto entediante, sinal de imaturidade, talvez, porém ela acedia, pensando em como o tempo era cruel com as mulheres e em como naquela idade ela era solicitada, e em como em alguns anos ela seria invisível.

Ele se sentou na cama, olhando para ela ajoelhada diante dele, e ela aceitou o jogo de sedução e submissão. “Esperando pelo senhor, Sua Graça”. Ela tirou os sapatos e as meias dele, abriu a camisa e a tirou, o empurrou gentilmente na cama, e o livrou das calças, despindo-o com cuidado e em silêncio, permitindo que ele visse o corpo dela pela chemise transparente.

Uma vez deitado, ele se pôs a comentar suas impressões sobre o Conde Sollis e sua esposa, comparando a jovem mãe, em termos de classe e educação, como superior a Lipa. A maga continuou a massagear os pés do marido, tentando não prestar atenção a forma como ele a considerava inferior à anfitriã. De certa maneira, em sua mente, era uma comparação injusta, pois a Raposa não foi educada como uma dama: ela não sabia cozinhar, era incapaz de bordar, tricotar, ou costurar, nunca aprendera a tocar qualquer instrumento musical, e nem a escrever poesia.  Phillipa não aprendeu a dançar, ou a organizar um jantar. Seu pai até que tentou que ela se interessasse pelos temas femininos, porém era tempo desperdiçado, ela argumentava, que ela podia aproveitava melhor, estudando e praticando magia.

Algumas vezes se perguntava se o ilustre grão duque não a tomava como tomaria um escudeiro. Sim, ela era um escudeiro que tinha um bônus de ser do sexo feminino. Era comum que meninos fossem escudeiros de cavaleiros mais velhos e renomados, morando com eles, saindo em campanha com eles, servindo como pagens, e inclusive como escape sexual, jovens imberbes ainda. A cultura de separação dos sexos sendo extremamente prevalente nas camadas mais altas da sociedade, considerava a convivência entre os sexos comum entre os plebeus algo pouco civilizado.

 Phillipa, menina criada dentro de uma fortaleza como filha única de um pai viúvo, dona e talentos peculiares havia sido criada de maneira incomum, portanto era muito mais atenta aos modos dos homens do que das mulheres. Donovan, ao contrário, não era um homem incomum, demonstrava um comportamento contraditório diante dela. Consciente de sua falta de beleza convencional e de sua formação peculiar, ela se conformou com a impossibilidade de um dia ser amada por qualquer homem, então, deduziu que seria o jovem escudeiro de seu esposo, ou amiga, apesar de na verdade, ansiar apenas por liberdade.

 "Sua Graça realmente não teve sorte com sua segunda esposa, não é?" ela disse baixinho. 

O ego de um homem, muitas vezes se estende ao seu membro, e precisa ser afagado, acariciado, muito bem cuidado. Ela se abandonou à vontade dele, que a colocou na cama com uma brutalidade que ela já conhecia muito bem, e, depois de cuspir no seu membro, o inseriu na sua xota, praticamente rugindo, enquanto lhe apertava os peitos. O bruto ejaculou sua semente dentro dela, como se ele fosse um animal do cio, afirmando sua virilidade. Depois que terminou, rolou para o lado e dormiu.

O duque Sterling roncava na cama. Ela contemplava o corpo do marido e se perguntava que futuro conseguiria esculpir para si antes que aquele homem morresse. O coração estava pequenino dentro do peito, e as lágrimas rolavam pelas faces, teimosamente. Se lavou, e, enrolada no seu roupão, foi pegar o ar fresco da noite na varanda. “Isso vai acabar”, ela repetia para si mesma, “Vamos fechar essa fenda, e ele vai morrer. Mesmo que não morra, o contrato termina.”


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