Guerras Arcanas - capítulos 31 ao 34
Capítulo 31
A visão daquela minhoca infernal, com mais metros do que caberia num pesadelo, estendida e despedaçada no chão, assustava menos durante o dia do que à noite, quando ela fazia o chão tremer e roncar.
Os rapazes a rodeavam, incertos sobre o que seria possível coletar do bicharoco, testando as suas facas e espadas contra a pele resistente e marrom.
"Essências. Essa criatura come outros animais e principalmente monstros. Foi assim que o localizei. Abram ao longo do comprimento, e vocês encontrarão algumas pedras de essências, cristais de mana. Talvez muitos ainda estejam viáveis." Phillipa os orientou, do alto de sua pedra, enquanto bebia água.
"Porra, intestino de monstro!" um deles reclamou. Outro respondeu, esse troço vai feder um bocado..."
Apesar de cansada, ela se sentou na beira da pedra, os pés descalços, e se concentrou, procurando sentir a presença de outros vermes. A magia escura escorria do seu assoalho pélvico e descia até seus pés, como se fosse uma extensão de si mesma, lânguida e curiosamente volátil, sensível às emoções e sensações dos outros, dos homens, dos animais, dos insetos, até das pedras, beijadas e acariciadas pelo sol e pelo vento.
Como gavinhas, mais do que raízes, ela se estendeu sob a terra, e achou mais quatro vermes a uma distância considerável, que vinham aos poucos se aproximando. Eles tinham algum tempo para se organizar.
Os homens debatiam entre si a melhor maneira de neutralizar o monstro, porém tudo dependia de retirar o verme de dentro da terra.
"A senhora acha que consegue segurar o monstro no lugar? Talvez assim, os magos de terra consigam puxá-lo!" Oliver sugeriu.
Phillipa sinceramente não sabia, mas poderia tentar.
Ren a puxou para um canto, e se sentou ao lado dela, observando o seu perfil afilado.
"Não se cobre em demasia. Você salvou a todos nós essa noite."
"Você realmente acredita que eu pensei nos outros! Perdoe-me Sir Ren, mas eu só estava pensando em sobreviver. Estou, nesse exato momento, pensando em sobreviver às próximas horas!" A voz de Phillipa soava ansiosa, porém não exaltada, e isso aliviou um pouco o cavaleiro.
"Phillipa, não é somente isso. Você tem um potencial imenso, mais mana do que qualquer um aqui, e muitas magias diferentes, no entanto é mulher, e não foi educada apropriadamente para usar esse potencial". Ao notar que a jovem alçou a sobrancelha, e espremeu os olhos, um sinal peculiar de irritação intrigada que ele já observou em outras ocasiões, ele se apressou a continuar. "Você tem a desvantagem de, sendo mulher, ter uma constituição física mais delicada, que não conduz bem a maioria das magias, especialmente as de impacto. E, tendo nascido mulher, não teve acesso a melhor educação que existe nas artes mágicas, e de ciências mágicas, porque, no nosso continente, o lugar da mulher não é o de militantes da magia, mas de reprodutoras. Mulheres com grande potencial mágico são apreciadas porque conduzem a uma prole com boa capacidade mágica para seus maridos. Considerando isso, você é incrível!"
"Agradeço as suas palavras, mas o que temos para hoje, são essas minhocas, esses vermes, quê não conseguimos matar ainda dentro da terra." ela abaixou a cabeça, como se tivesse sido afligida por uma dor lancinante. "Donovaa deve começar a atravessar a ponte hoje. Com a vibração da legião na estradam certamente alguns desses bichos tentarão atacá-los!"
"Será?". Ren sabia que sim, no entanto preferiu dar a ela a chance de se sentir um pouco mais líder.
"Tenho quase certeza. Esses monstros são atraídos pela vibração e pela mana, coisas que a legião tem de sobra. Se conseguirmos eliminar alguns antes... eles devem dar conta do resto... eu acho." ela torcia as mãos, mãos pequenas, calejadas, de unhas roídas, sujas. Suas mãos expressavam seu estado emocional e físico desde que aquela viagem infernal começara.
"Então vamos lá: o que faremos."
"Não tenho um controle perfeito sobre todas as minhas magias..."
"Eu sei..."
Ela franziu o cenho, mas continuou. "Sou ruim em magia escura, porém eu vou atraí-los para cá com magia escura. Não que eles gostem dela, pelo que eu vi ontem, mas é muita mana para eles não salivarem."
"A propósito, você está bem?" ele estendeu a mão para a testa e para o pescoço dela. Estava um pouco fria, trêmula. Ela o olhou um tanto surpresa, mas não rejeitou o toque, íntimo demais para o cavaleiro do seu marido. Ren sempre a desconcertou um pouco, e ela se amaldiçoava por ser, assim como toda a humanidade, uma estúpida quando uma pessoa naturalmente bela estava em jogo.
"Um pouco cansada, mas depois eu me recupero. Por favor, veja se já conseguiram organizar as coisas na plataforma de pedra maior, desde que não seja a que tem aquela rocha ridiculamente ereta. Se aquela porra cair, esmada todo mundo." Ren olhou de esguelha para a direção dos homens e viu que eles estavam se amontoando justamente lá, e fechou os olhos, invocando toda a paciência que não tinha. "Vou resolver isso e já volto."
A campina se estendia a leste a perder de vista, e a oeste era possível ver a cordilheira do dragão. O sol já estava alto quando eles organizaram o que era possível do acampamento e das montarias; aqueles que tinham maior poder mágico se reuniram em volta dela.
"Há uns quatro vermes se aproximando, e eles certamente farão movimentos circulares ao nosso redor. Nosso, os que temos mais mana, nem tanto em volta das montarias." os homens finalmente pararam de conversar entre si para prestar atenção à jovem senhora. "Não há nenhum mistério na estratégia. Pelo que pudemos observar, a pele da fera é bastante grossa, portanto quem não tem mana suficiente para fortificar flechas, lanças ou espadas com magia ou aura, não pode participar dos grupos. Quanto às armas de fogo, talvez as munições de mana possam funcionar, mas não temos certeza, portanto, os que não tem mana, deverão ficar com elas, para se protegerem. De qualquer maneira, serve de salvaguarda. Se eles atirarem e funcionar, podemos trocar."
Ren meneou a cabeça, assentindo. Ollie, ao lado dela, olhava para os homens, procurando reforçar as instruções da senhora. Eu puxarei um de cada vez, se possível, de dentro da terra..."
"Com aquela magia escura toda, senhora?" uma voz perguntou em meio ao grupo.
"Não" ela hesitou, sem saber realmente o que aconteceria, "Apenas o bastante para localizar e puxar. Uma vez do lado de fora, eu seguro, para evitar que entre novamente na terra. Não dá tempo para transformar a terra sob eles em rocha, dá?"
Os homens que manipulavam magia de terra se entreolharam, e finalmente responderam, liderados por um homem dos Sterling, que acompanhou o esquadrão avançado. "Talvez, se uns dois ou três trabalharmos juntos. Os com menos mana podem ajudar..."
"Se vocês conseguirem, eu talvez possa..."
"Retalhar com magia espacial, madame?" Joyce acenou do alto de uma pedra, os cabelos castanho claros presos num rabo de cavalo, e o sorriso amplo de sempre. Jayce, ao seu lado, acenou também.
"Posso tentar..." ela respondeu ao sorriso, cúmplice dos dois.
Descalça, ela sentiu a aproximação dos primeiros vermes, e sinalizou para que se separassem em dois grupos, apenas Ren ficaria ao seu lado, protegendo-a.
"Você sabe que ninguém usa magia espacial de maneira ofensiva como você, não é? Não que eu tenha visto." Ren sacou o arco curvo e uma flecha.
"Não? Mas é o uso mais óbvio e que usa menos mana!" Phillipa realmente se surpreendia como as coisas que eram para ela tão simples, podiam ser difíceis para os outros, e o inverso ser verdadeiro.
O chão tremeu com força, quando a primeira fera se aproximou, pelo norte, como se estivesse vindo atraída pelo esquadrão avançado e pela legião. Ao invés de esperar o ataque, Lipa projetou sua magia por baixo da terra, como tentáculos, puxando o verme em sua direção, e simplesmente o levantando com o força para cima. Inicialmente, ao invés de resistir, o monstro aumentou a velocidade, esperando devorar a imensa fonte de mana que havia encontrado, entretanto, ao perceber que estava sendo sugada para a superfície, começou a se debater, mas já era tarde demais. Um pouco menor do que a da noite anterior, ela pairou no ar, um metro acima da terra, o bastante para ser alvejada pelo grupo mais próximo, enquanto os magos do outro solidificavam a terra o bastante para que não entrasse na terra imediatamente. Quando Lipa soltou o verme, ele quicou no chão sólido, com rasgos no seu couro, e ela usou a mesma magia que usava para cortar ao meio goblins, orcs, e outros monstros: com delicados gestos, ela cortou o ar, e portais espaciais se abriram e se fecharam ao longo do corpo do bicho, como lâminas, que literalmente interrompiam a continuidade daquela existência no espaço e no tempo, retalhando-o.
Com seu coração isolado foi fácil imolar o verme. E esperar pelo próximo, que chegou sedento de mana, excitado pelo mana dispendido na matança, abocanhando um pedaço do verme morto.
Phillipa sentiu seu corpo chegando a um limite extremo, suava frio, e sentia enjôo. A cabeça parecia que ia explodir.
No terceiro monstro, ela pensou que iria morrer junto.
O entorno ficou coberto de entranhas de verme, um fedor intenso de intestinos de monstro, com restos putrefatos, essências de monstros ainda ativas, em grande quantidade, e os vestígios da quantidade descomunal de mana escura que ela havia movimentado.
Finalmente, o quarto verme mudou de direção: certamente foi atraído pela Legião. Nenhum deles do esquadrão, tinha condições físicas de sair em perseguição. Precisavam descansar. Precisavam confiar nas centenas de homens que vinham marchando, armados e capazes.
Essa não foi uma decisão dela, pois ela desmaiou antes, amparada por Ren, gelada como se estivesse morta.
Capítulo 32
Choveu aquela noite o bastante para que as depressões nas estranhas formações rochosas se enchessem de água, como pequenas piscinas, ou cisternas, cristalinas, refletindo a luz da lua. Os temporais do norte eram assim: fortes, intensos, como se o céu caísse inteiro por algumas horas, e então ele se abria limpo e fresco, estrelado.
Acampamentos com tantos magos eram mais resistentes à chuva, e isso era bom, também foi boa a bênção das piscinas de água fresca, pois eles não se moveriam antes da legião chegar. Ren sugeriu a Ollie que levassem a senhora a uma das piscinas para se banharem, todos estavam podres. Os homens haviam se lavado na chuva, e em uma das cisternas. Faltava a senhora.
"Deixa que eu faço isso", respondeu ao cavaleiro.
"Por ser o companheiro dela?" Ren perguntou, sem fazer rodeios. "Melhor irmos juntos, assim eu sei que você não fará nada com ela!" Ele a tomou nos braços e fez com que o rapaz pegasse os pertences da senhora, e foi até uma das cisternas. Assim que chegou, começou a se despir e a despir a mulher desmaiada.
Ao entrar com ela na água, talvez pela temperatura muito fria, ela acordou assustada, os olhos arregalados, defensivos. Ao longe viu as fogueiras, e o vulto de Oliver se aproximando. A sua frente, Reinfeld estava sentado dentro da cisterna de pedra, com água pouco acima da cintura. Os olhos dos dois se encontraram na escuridão.
"Como você está?" ele perguntou baixinho.
"E os monstros?"
"Mortos", Oliver respondeu. "Aqui: sabonete!", e entregou um pedaço de sabonete a cada um, enquanto ele mesmo se despia, para entrar na água. "Tem de ensaboar bem, pois aqueles bichos fedem um bocado. Nós mudamos o lugar do acampamento enquanto você estava dormindo. Não dava para ficar ali. Ainda assim dá para sentir a fedentina."
Os dois homens falavam com ela com uma intimidade de amigos ou amantes. "Espero que os dois não falem assim comigo na frente do duque... ou falem, tanto faz, não creio que ele se importe." Ela se virou de costas. "Um de vocês pode me ajudar a lavar o cabelo? Como eu queria cortar ele um pouco mais curto!"
Antes que Oliver pudesse se mexer, Ren se adiantou e começou a lavar os cabelos de Phillipa, que estavam bastante compridos. "E por que não corta um pouco?" ele perguntou, gentilmente.
"Porque o meu marido ordenou que eu não cortasse." Ela se dirigiu para Oliver e o chamou para perto, indicando que iria lhe esfregar as costas. "Está bastante escuro, não é? Assim a gente não vê direito um ao outro."
Ela esfregou as costas do seu amante, enquanto Ren ensaboava os seus cabelos. Ele massageava a sua nuca, seus ombros e depois as costas. Pegou uma caneca e despejou água sobre os cabelos dela, enxaguando. Irritado com a presença de Oliver, discretamente estendeu seu ferrão e o picou, instilando um pouco de seu narcótico.
Oliver relaxou, e terminou seu banho, se desvencilhando de Phillipa e se sentando mais à beira da cisterna, olhando intensamente para o céu estrelado, como se estivesse alheio ao mundo.
Lipa percebeu o que estava acontecendo e não quis resistir. Ela queria mesmo estar sozinha ali com Ren. Ela gostava da presença dele. "Quer que eu te esfregue?" ela perguntou.
"Como você faz com o Sterling?"
"Se não quer, é só dizer."
Ela a virou para si, e a sentou sobre ele. "Lave meus cabelos."
Ela começou a lavar os cabelos dele, os seios à altura do rosto dele, enquanto conversava naturalmente. "Eu apaguei. Isso é vergonhoso"
"Não é não. A quantidade de magia escura que você usou foi absurda. Poucos teriam sobrevivido." as mãos dele deslizavam pelas coxas dele sob a água que estava ficando morna, a aparência dele mudava aos poucos, para a do elfo de sangue, a cor da pele, dos cabelos, dos olhos. O cheiro que ele exalava da pele. A água morna demonstrava que ele estava usando magia para aquecê-la. "Não suporto mais, eu preciso penetrar você, eu preciso morder você."
"A água dificulta..." Ela sussurou, os dedos dele, massageando o clitóris dela, a língua brincando com os bicos dos seios.
"As vantagens de ser um shapeshifter é que até isso a gente arruma" E ele se insinou para dentro dela, primeiro com uma certa resistência, depois, as propriedades narcóticas dos fluidos do corpo dele, a amolecendo, fazendo com que ela balbuciasse obscenidades aos ouvidos dele. Sim ela amava aqueles olhos dourado, com as pupilas oblíquas, os cabelos longos de cor de ouro batido, a pele dourada, o odor almiscarado e resinoso da pele dele, e como ele a enchia por dentro."Eu não posso engravidar enquanto estiver com o Duque, senão eu não concluo o contrato"
"E depois? E esse moleque?"
"Porra, é difícil responder com você me comendo assim..." E ela rebolou lenta e gostosamente, apertando com vontade a piroca dentro de si.
"Eu sei que eu tenho uma atração estranha por você. Me faz esquecer de tudo hoje, Ren. Bebe de mim, por favor.", ela expos o pescoço, e ele lambou e salivou one iria morder. O coração dela batia forte, em antecipação. Ele deslizou o dente afiado, arranhando discretamente a pele e soltando um fio de sangue, que ele sugou com ansiedade. Um pequeno fio de sangue, nada mais do que isso, com um sabor um tanto ferroso, porém o enchia de energia, de prazer, causando com que latejasse dentro da buceta apertada dela, que gemia baixinho, suspirando. Ele a sentiu contrair ao redor dele, num espasmo forte, e também não resistiu e ejaculou. Sexo rápido, urgente, faminto, ele feliz de saber que ela suportava a semente um tanto tóxica dele. "Será que ela produziria um mestiço dele?". A pergunta surgiu na sua mente com receio, e também com sentimentos contraditórios de ciúmes, horror, desejo de posse, de marcá-la para sempre, e de se eternizar através dela.
Por ele, nenhum outro macho ficaria ao redor dela, encostaria um dedo nela, somente ele a teria para si o tempo todos. Ele tinha o tempo ao lado dele. Aquela noite, eles voltariam para a tenda limpos e arrumados, ela dormiria bem, feliz, satisfeita, e amanheceria tranquila e refeita.
Oliver permanecia alheio a tudo, balbuciando coisas ininteligíveis para o céu. Ele acordaria em breve.
Ajudou a dama a se enxugar e a pentear os cabelos longos e fartos, que lhe chegavam quase às nádegas. Ela demonstrava desconforto com o peso. Sim, os cabelos dela eram fartos, cheios, com ondas largas, como se fosse um oceano noturno, revolto. A deixou em frente à tenda, e pegou uma tigela de cozido. O dia seguinte certamente traria os primeiros batedores da legião.
Capítulo 33
Já era a noite do dia seguinte quando um grupo de seis homens chegou a cavalo. O grande corcel de batalha preto e branco, indicava que o último homem do grupo era nada mais, nada menos que o próprio Grão Duque. Por mais forte que aqueles cavalos fossem, realmente não eram os mais velozes...
Donovan apeou da montaria e procurou pela esposa. Os homens se afastaram, dando espaço ao senhor, até que ele encontrou Reinfeld, acocorado em volta de uma fogueira. Este se levantou e se curvou, saudando o mestre. Sem precisar perguntar nada, indicou onde a jovem duquesa se encontrava: numa tenda, pequena e acanhada, descansando. Os passos largos o levaram à entrada do refúgio em segundos e ele percebeu que teria de entrar ali agachado, já que era alto e grande demais. Tirou o manto, as botas, a jaqueta e as luvas, e se esgueirou para dentro. Examinou a esposa cochilando.
No caminho vira as carcaças de quatro vermes como o que destruíram no dia anterior, na verdade, dois eram até maiores. Aquele grupo tão reduzido... ele estava certo que todo o cansaço dela era devido aquela luta. os longos cabelos castanho escuros, quase pretos, mal presos num rabo de cavalo, impediam que ela se sufocasse no sono. "Por Janus, será que eu amo essa criatura? Eu estou muito velho para isso! Nem desejo uma coisinha dessas merece, uma puta tem mais atrativos!" ele pensou, uma agonia lhe apertando o peito.
Ele deitou ao lado dela, seus pés estirados para fora da tenda, e sentiu o cheio dos cabelos dela. Não permitiria mais que ela avançasse como batedora, não mais. Não a deixaria mais se arriscar. Porque ele permitiu que ela se arriscasse tanto? Ela devia ter ficado em Cassel, ou ter ido para o Ninho dos Corvos... Não, ele não a queria perto dos seus filhos... ele tinha ciúmes dela com os filhos? A sensação lhe tirou o ar. Se era assim, ele também não queria ela perto de Reinfeld ou dos seus servos de Cassel: a queria dentro de sua tenda, esperando por ele todos os dias, de preferência nua. Não era uma mulher bela, mas só ele sabia como lhe dava prazer. Não, não era a hora para ele ter uma ereção.
A luta contra o verme foi dura, até por ter sido uma surpresa. Perderam dois homens, e vários ficaram feridos. Na verdade, ele imaginou que todo o esquadrão liderado pela esposa tivesse sido exterminado. Deitar ali, ao lado dela... ele se sentiu aliviado, as mãos trêmulas sobre os quadris dela.
Sem ver o tempo passar, ele se imaginou sonhando, ninguém ousando interrompê-lo, até que ela acordou, surpreendida pela presença dele ao seu lado. Os olhos de um verde profundo, emoldurado pelas rugas, e pelas sobrancelhas fartas e retas, o nariz com uma cicatriz, a barba por fazer, os cabelos castanhos avermelhados, um ruivo lustroso, na verdade, entremeado de branco, escapando do rabo de cavalo. Ele cheirava um bocado ao cavalo que castigara de tanto cavalgar até ali.
"Donovan?" ela balbuciou. Ele a calou com um beijo de seus lábios secos e rudes, ansioso, bruto como sempre, segurando o rosto dela entre suas mãos calejadas.
"Você está bem? Não se machucou?" ele a olhou fundo nos olhos.
"Nada demais, somente os arranhões de sempre. Só gastei mana demais, exaustão. Mas estou quase recuperada." Ela o assegurou, acariciando o rosto dele. "Todos já chegaram aqui?"
"Não, eu vim na frente... devem demorar meio dia para começarem a chegar. Eu temi que..."
"Então vocês conseguiram abater o verme?"
"Sim, sim. Não é troço tão fácil assim, de primeira. Eu temi por vocês." ele se apressou a explicar.
"Nós matamos quatro em vinte e quatro horas." a expressão de satisfação no rosto dela era impossível de disfarçar, e ele se sentiu um tanto orgulhoso. Por outro lado, uma parte dele a queria amarrada, longe dali, incapaz de fazer ou dizer qualquer coisa daquelas.
"Vou mandar montarem uma tenda maior para nós dois. Nessa daqui.. meus pés ficam de fora." e ele saiu, a deixando sozinha. "Sir Ren, pode me acompanhar? Quero que me relate o que aconteceu aqui."
"É claro, Sua Graça.", o cavaleiro se levantou e limpou a terra grudada nas calças, e acompanhou o grão duque até seus acompanhantes, que conversavam animadamente com os batedores.
"Vocês mataram quatro?"
"Sim." Ren examinou o Duque, sentindo o fluxo de mana: a maldição estava fraturada na primeira camada. "Se não fosse a jovem senhora usar uma quantidade imensa de magia escura... nós teríamos morrido. E vocês teriam sofrido muitas baixas. Ela suspeita que existam mais dessas coisas por aí."
"Magia escura?" Sterling apertou os olhos, o cenho franzido, mordeu a bochecha por dentro, como fazia quando algo o incomodava. "Eu não sabia que ela usava esse tipo de magia."
"Com o seu perdão, mas ela deixou claro a Sua Graça que ela dominava todos os oito tipos de magia, eu lembro muito bem. Ela apenas usa algumas mais do que outras."
Era verdade, ele não podia negar, porém ninguém via a magia escura com bons olhos, ele muito menos, afinal, era a mais usada para maldições. "E como ela usou essa coisa?"
"Como? Humm... eu diria que ela usou para rastrear a localização, atrair e depois puxar os vermes do chão e mantê-los suspensos, enquanto os matamos. Depois, conseguimos solidificar o chão um pouco, e ela deu cabo de dois com magia espacial."
"É, ela tem aquele truque dela... e funcionou com algo grande daquele jeito..."
"Aham.."
"E pensar que essa garota foi educada por magos de meia-tigela dentro de um castelo perdido no meio do nada!" Sterling não pode deixar de pensar nos próprios filhos, ambos alunos da melhor e maior academia de magia do reino. "Potencial demais desperdiçado em uma mulher, não é?"
"..." Renfeld olhou por cima dos ombros do seu Senhor, indicando que a jovem senhora se aproximava, e tentou mudar de assunto. "Boa tarde, Senhora Phillipa, vejo que já está recuperada."
"Estou sim, Sir Ren, obrigada. Pelo jeito, já fez seu relatório ao meu esposo."
"Sim, Lipa, ele me contou suas proezas de ontem." O duque a interrompeu, rude.
"O Senhor deve me deixar ir à frente, pois acredito que ainda existem alguns desses vermes soltos." ela solicitou.
"Nem pensar! Você marchará conosco! Volte para a sua tenda imediatamente, e espere até que a minha fique pronta."
"Eu consigo localizar esses monstros, meu esposo." ela ainda pediu.
"Depois conversamos, Phillipa!" E virou as costas para ela.
A voz do Duque parecia ecoar dentro da cabeça dela, como se todos tivessem ouvido ela ser humilhada. Novamente sentiu enjôo, e uma vontade urgente de sumir, de escapar, de ir para bem longe dele. Olhou para o norte, para onde estava a maldita fenda, e pensou no final do contrato de casamento, na sua conta bancária, que a esperava, na casa que ele havia colocado no nome dela... depois de Amêndoa Dourada, era a estirada final.
Naquela noite, ela sabia que ela seria apenas a garota que o Grão Duque do Sul comprou e levou quase como uma seguidora de acampamento. Se lavou e se perfumou. Raspou as axilas e as virilhas, deixou os cabelos lustrosos o quanto possível, e esperou o esposo, já um tanto bêbada na sua tenda recém montada. deitada nas peles estendidas no chão.
O cristal de mana luzia mortiço ao lado dela quando ele entrou. Ela se despiu e soltou os longos cabelos, espalhando-os ao redor dela. Abriu as pernas e se tocou, exibindo a carne rubra, entre os poucos pelos que havia deixado cobrindo apenas o topo de sua racha. Ele se sentou e a observou, atento. Quando ela deu por si, ele estava nu, sentado ao lado dela, o pau próximo à sua boca, a cabeçorra rubra melada, e ela estendeu a língua, para colher o líquido que escorria.
Donovan era um homem grande e musculoso, sem grande definição, devido a idade, mas bastante imponente. O pau era grande, porém era mais grosso do que realmente comprido, e ela mal conseguia acomodá-lo em sua boca sem machucá-lo com os dentes. Ela mergulhava os dedos dentro de si, se estimulando, enquanto babava o máximo que podia aquela vara grossa.
Os olhos baços, ele a virou para si, abrindo as pernas dela, e aos poucos a penetrou, alargando a buceta apertada e não tão úmida, mas que, a cada estocada longa e deliberada se enchia de líquido, deslizando melhor e mais gostosamente. Ele se inclinou um pouco, e tocou os peitos dela, beliscando os bicos, peitos que mal lhes cabiam nas mãos, macios e delicados. "Pelos deuses, eu quero destroçar essa mulher!", ele pensava isso com cada vez mais frequência. Sem se segurar ele a travou sob seu corpo e a penetrou com insistência e firmeza, e não aguentou segurar o gozo, ao sentir ela apertando descontroladamente sua vara. Ele olhou para ela e tinha uma das mãos no pescoço dela, e os olhos dela estavam cheios de terror. Em meio aos seu gozo, ele demorou a entender que a estava estrangulando, e que ela estava tentando escapar.
Não deu desculpas, e nem ela as pediu, ele apenas a puxou para si, e começou a beijá-la e a brincar com a buceta dela, enquanto cheirava os cabelos pretos. O esperma escorria e deixava tudo melado, facilitando que seus dedos deslizassem sobre o grelo rijo. Era tão raro ele tocá-la assim... ele nem sabia fazer direito, entretanto, ele queria ouvi-la gemer e suspirar junto ao seu ouvido. Presa junto ao corpo dele, ela gemeu de prazer e de dor, do grelo demasiadamente rijo sendo manipulado tão insistentemente por dedos tão pouco gentis.
Ele pediu que ela compartilhasse mana espiritual com ele, de cura, para que ele se recuperasse rápido, e ela obedeceu, e novamente ereto, ele a comeu de quatro, a segurando pelos cabelos, que tanto apreciava. Sua raposinha rebelde, sua mulherzinha atrevida, que gemia feito uma gata, enquanto recebia a piroca dele, rebolando mais que qualquer prostituta de acampamento ou de bordel elegante. Tudo nela era delicioso.
"Espera, espera, meu senhor. Deixa eu trocar um pouquinho de posição, deixa?" a voz arfante, implorando o comoveu, e ele permitiu que ela se sentasse sobre a vara ereta, se movimentando suavemente, apertando e afrouxando a tensão da buceta, pegando as mãos dele e colocando sobre seus seios. Ele mantinha os olhos semicerrados, e era como se estivesse em transe. Ele sentiu a mana dela circulando no assoalho pélvico dela, forte, intensa, subitamente se projetar para dentro dele, e gemeu, agarrando as coxas delas. A deitou de lado, e se encaixou atrás dela, ela apenas mais inclinada para frente, ele erguendo uma de suas pernas, e continuaram a se mover lenta e ritmadamente, sentindo os dois juntos, não mais ele metendo nela, ou ela quicando sobre ele, mas os dois movimentos se encontrando, e a mana dela, multicolorida, circulando até o umbigo dele, causando um prazer intenso, como se ele tivesse vinte anos novamente. O espasmo ejaculatório foi intenso, embora já não tivesse muita coisa a expelir, e ele a abraçou por trás, cansado e feliz, em paz.
Ela viveria até o marido bater as botas, sua vida sexual dessa maneira promíscua, com quem quer que quisesse saber da sua rotina, bastava prestar atenção à tenda do Grão Duque.
A ferida da maldição perdera a primeira camada completamente. Os círculos não apenas se apagaram, mas sim se esfarelaram, não deixando nenhum resíduo sobre a pele da vítima. O segundo círculo agora pulsava, em tons de vinho, pressionando a última camada. Era como se ele tivesse se enchendo de mana... no caso, ao invés de alimentar com mana, Phillipa tentou drenar a mana, e pareceu funcionar.
"Com essa necessidade de drenar energia... Ele não vai poder mais acumular tanto dano" Lipa remoeu."Ele tem de durar até fechar a maldita fenda e completar o contrato!"
Capítulo 34
Dali até Amêndoa dourada a legião progrediu como uma colônia de formigas. Produziram sigilos de terra e magia de sombras, que auxiliaram no extermínio de mais de uma dezenas daquelas minhocas monstruosas, e eles liberaram os pequenos povoados e fazendas isolados, ilhados pelos monstros.
O
trajeto entre Sollisburg e Amêndoas douradas levaria apenas uns dez dias de
carruagem, porém, limpando o terreno, levou quase cinco meses. Depois de um dia
calmo, até
alcançaram a Mansão Castaneda, situada na vila das Amêndoas Douradas.
A vila, na verdade uma cidade pequena, com as ruas principais calçadas com paralelepípedos, passeios de pedra, casas brancas com portais de cantaria, e grandes janelas, protegidas por gelosias, que se debruçavam sobre árvores perfumadas, de flores amarelas, brancas e rosadas. Uma grande amendoeira, situada na praça central, se erguia feito uma torre, espalhando seus galhos e sua folhagem, oferecendo sombra e seu odor levemente úmido.
Poucas lojas apresentavam movimento, e o oficial da cidade os havia recebido do lado de fora, encaminhando as tropas para o local designado de acampamento, e encaminhando os líderes para conhecer o alcaide.
A
mansão Castaneda, residência do alcaide, mantinha apenas meia dúzia criados, liderados por uma espécie de
mordomo, que faziam o possível para
preservar a propriedade desde que os senhores partiram, dois anos antes. Segundo os poucos moradores
restantes, a maioria das mortes ocorrera nas fazendas, e os habitantes da zona
urbana fugiram por medo de novos ataques.
Sterling
pensou consigo mesmo que as minhocas-monstro deviam ter feito um estrago
tremendo na população e nos animais da região, daí a relativa integridade das
construções, mas a falta de gente. Os que não foram afugentados pelas pestes,
tinham de se proteger dos outros monstros. Devia ser uma vida desgraçada.
O
senhor local era filho de um cavaleiro com terras, casado com a filha de um
barão. Porém, era ela quem possuía o título. Os filhos que tivessem herdariam
as terras — mas não o título. Amêndoas Douradas era um dos muitos casos
no norte onde grandes extensões de terra pertenciam a cavaleiros sem títulos
nobres, herança de uniões entre herdeiras e homens abaixo de seu posto.
Sem
povo, sem colheitas, sem apoio do Império — e com dívidas crescentes — Sir
Castaneda decidiu vender os cavalos, dispensar empregados e servos, até mesmo
os sob contrato, e migrar para o sul em busca de trabalho como cavaleiro
mercenário, sustentando a esposa e os dois filhos. O Grão Duque se perguntou o que teria feito na exata posição dele..
Ollie,
Jay e Joy levaram Sir Ren para um reconhecimento rápido da área. O relatório
foi inquietante: havia muito mais homens do que mulheres. O criado da mansão,
que assumira como líder local, informou que as mulheres e meninas restantes não
caminhavam sozinhas, permaneciam trancadas e mudavam de casa toda noite.
Os
oficiais sabiam o que aquilo significava: problemas graves com goblins.
Estabelecer o portal era urgente, para evacuar as mulheres, protegê-las e
também negar aos monstros sua fonte de procriação. Até que a região fosse
limpa, nem mesmo as acompanhantes do exército seriam mantidas no local — todas
seriam transferidas para Sollis.
Não apenas afetada, ao sul pelas minhocas, mas ao norte por uma horda de goblins, não era de se admirar a região estar tão vazia!
Enquanto
os demais se consumiam em ansiedade, Phillipa e Ollie operavam em outro ritmo —
foco absoluto, modo caçadores de goblins ativado. Entrevistavam moradores,
copiavam os mapas mais úteis, traçavam possíveis regiões de covis, caminhos de
patrulha, fluxos de fuga. Lorne e os outros rapazes afiavam suas armas com
obsessão quase maníaca, garantindo que levassem reservas. O comportamento se
espalhou. Legionários que haviam forjado laços e descoberto habilidades
complementares entre si, começaram a agir da mesma forma. Logo, todo o
acampamento exalava sede de sangue goblinóide.
O
mago Branson, veterano da Academia, manipulador de água e espaço, alertou que
poderiam encontrar mais do que goblins. Naquela terra, predadores maiores
caçavam os menores quando a presa mais suculenta escasseava. Ao perceber que os
jovens estavam prontos para extravasar sua raiva nos goblins, coube a ele e aos
magos e cavaleiros mais experientes segurar a retaguarda.
Donovan
aprovou a estratégia de reconhecimento veloz — batizada por Sir Ren de patrulha
relâmpago —, e o plano foi posto em marcha, e dessa vez, abutres não marchariam em separado dos batedores.
O
servo remanescente da Mansão Castaneda se chamava Ernest. Antigo apicultor da
propriedade, permanecera no local com uma criada idosa e um homem de sua idade,
hábil com ferramentas e com talento incomum para consertos e invenções.
Era
final de tarde quando os pilares do novo portal foram erguidos. Sterling
calculou que, se os magos se revezassem, poderiam ativá-lo até a meia-noite.
Assim, pela manhã, teriam acesso a dados mais precisos sobre a área já
percorrida — e poderiam enviar as mulheres da vila para um local seguro, até o
fim da caçada aos goblins.
Em
menos de uma semana, a legião estava assentada no vilarejo e pronta para limpar
o terreno adiante, e em muito pouco tempo o portal estava funcionando. Por outro lado, o cansaço dos homens era notável. Seria preciso um bom tempo para repor montarias, suprimentos, e realmente descansar a todos.
Enquanto
aguardavam, observando o progresso do ritual, Sterling, Phillipa, Sir Ren, Sir
Elton e o mago Branson se sentaram à volta de uma mesa improvisada, para
descansar e discutir planos.
"Perdoe-nos, Sua Graça. Não temos chá nobre ou licor raro a lhe oferecer. Mas,
por favor, aceite esta bebida simples, que criamos para nos revigorar."
Ernest
serviu copos altos, cheios de uma infusão esverdeada com ervas frescas, flores
brancas e amarelas amassadas, água, gotas de lima e uma colher generosa de mel
translúcido, dourado e radiante — doce, com textura sedosa, e estranho como um
encanto.
Donovan
tocou o lado do corpo onde costumava sentir a maldição, sorriu para Phillipa.
Ela parecia brilhar sob a luz fraca. A dor era apenas um sussurro distante.
Ren
e Ollie viam as cores saturadas, os sons mais nítidos do que o natural.
Phillipa, tomada por um torpor vívido, teve os sentidos inundados.
“Estamos drogados?” mperguntou, já entorpecida. O mordomo riu e explicou que aquele mel vinha das colmeias nas terras de caça do baronato. A baronesa amava mel e contratara um apicultor. Três anos antes, o sabor e os efeitos começaram a mudar, sem explicação. Foi o velho Branson quem levantou a hipótese de as abelhas estarem colhendo néctar de plantas de mana.
Algo
brilhou na memória de Phillipa. Decidiu investigar com Branson. Seria mais
fácil na primavera, mas ela possuía um livro com desenhos de plantas mágicas e,
acima de tudo, uma sensibilidade rara ao fluxo de mana.
"Essas plantas existem em abundância na região, Ernest?" ela entregou o livro ao mordomo, que o folheou com atenção. Ele apontou várias páginas, e respondeu que eram comuns nos jardins e nas matas ciliares.
"Se essas plantas puderem ser cultivadas, Ernest, talvez as pessoas voltem à
vila. Um novo comércio pode nascer." disse ela em meio a uma feliz intoxicação.. Branson assentiu e deu
um tapinha no ombro do homem.
Ernest coçou a cabeça, emocionado. "Foi esse mel que nos manteve vivos. Nutre, alivia e até cura. Se a praga de monstros acabar, talvez tenhamos nossas primaveras de volta. Já foi um bom lugar para viver, meus senhores... a terra é fértil, há água em abundância…"
Naquela
noite, as estrelas pareciam mais intensas sob o efeito do mel encantado.
Phillipa sentiu algo raro: pertencimento. Estava entre pessoas que riam,
brincavam, que tinham um propósito — e ela fazia parte daquilo. Talvez fosse o
vinho, talvez a magia oculta no mel, mas ao fitar os cabelos desgrenhados do
marido — as mechas brancas ganhando terreno sobre o fogo acobreado, o rosto
barbeado revelando a pele marcada por batalhas e marchas... ela enxergou o
homem jovem que um dia ele fora. Um homem de traços fortes, olhos verdes
profundos, riso fácil, agora cada vez mais raro.
Um
homem que apreciava os prazeres simples: uma cama seca, roupas limpas, uma
refeição quente, a companhia de bons amigos. Um homem que não nascera para as
intrigas da corte. Era honesto demais para sobreviver entre os outros nobres, e
bravo demais para morrer no campo de batalha.
Rapazes
como ele cresciam sonhando com donzelas em perigo — não mulheres reais, mas
arquétipos, promessas, recompensas. Ele era o cavaleiro em armadura reluzente
que precisava da mulher que precisava ser salva, para que ele ganhasse amor,
glória, canções e lendas.
E
ali estava ela. Viajara entre mundos, cruzara dimensões… para acabar casada com
aquele tipo de homem: o patriarca severo, moldado pela guerra.
E,
de algum modo... ela sorria.
Cada
vez mais tomado pela dor, Sterling a requisitava menos. Phillipa não tinha quase prazer
nos braços dele. Os orgasmos eram raros, e frequentemente ela fingia, para que
ele, o ego de macho inflado, terminasse mais rápido e da deixasse em paz. Não,
ela não era uma dama em busca de um salvador, e nem ficava rubra diante do
desejo masculino, ao contrário, ela mesma tinha desejos insatisfeitos que não
podia extravasar naquele acampamento sem se expor ao desprezo daqueles homens.
Sterling
dormiu feliz, com as drogas e a bebida de mel, e ela foi para a grande varanda
do segundo andar da mansão se reclinar em uma das grandes espreguiçadeiras. A
brisa noturna era fresca, e o luar permitia divisar ao longe as luzes da legião
na vila, os campos, e a mata ao longe. Atrás de si, o dourado de apenas uma
janela iluminava a entrada da grande varanda.
Em
uma das espreguiçadeiras, Sir Ren Reinfeld estava reclinado, bebendo um copo
daquele coquetel de citrus e mel de mana. Ela podia sentir um cheiro diferente,
indescritível, porém que não lhe era realmente estranho.
"Não, não precisa se levantar. Eu me sento aqui.", ela disse, ocupando o assento
ao lado dele.
Há tanto tempo não podia privar da companhia dele assim, sozinha! Ele parecia mais magro, ela pensou, talvez mais sério também.
"A maldição dele está piorando, senhora. De qualquer maneira, esse é o terceiro portal,
não falta mais muito até a fenda. O que você pretende fazer depois que
fecharmos aquela desgraça?" – o homem continuou olhando o céu, e tocou a mão dela. Entrelaçaram os dedos. O coração dela disparou, como o de uma adolescente.
"Está piorando sim. Ele nem deveria entrar na fenda, eu não sei. Talvez ela o
leve de qualquer maneira." Phillipa respirou o ar noturno, fresco e com aquele
odor de jasmin indólico, misturado ao dar árvores, "Eu não tenho certeza do que
vai acontecer depois, Ren. Acumulei uma quantidade de dinheiro substancial em
pedras, acho que posso, via minha família paterna fazer negócios com as casas
que se reconstruirão aqui... Ou ficar na capital"
"Então você não se vê sendo duquesa... e nem voltar para a casa do seu pai?", ele se virou para ela, os olhos
com uma cor estranha, que ela pensou ser um efeito da luz.
"Eu? Imagina! E eu teria um enteado da minha idade e outro até mais velho! Eles
me tratam bem por carta, é claro, mas pessoalmente, morando com eles... seria
outra coisa." ela riu constrangida
"Tem razão. E não acho que a esposa do seu irmão a receberá bem." a voz do
cavaleiro adquiriu uma qualidade sibilina.
"Lelia me odeia, né? Desde criança ela me odeia. Por mais que eu sinta falta do
Paul, eu terei de arrumar um caminho só meu." ela suspirou , "Ai, Ren, que
assunto aborrecido!"
"Sir Elton lhe idolatra. A senhora por acaso a senhora já..."
"Olly é só um amigo antigo. E acho que Paul o mataria se a gente tivesse alguma
coisa." A mentira veio fácil, ou então não era mentira, Oliver era realmente um amigo, e Paul o mataria.
-
Entendo...
"Odeio monstros, mas goblins tem um cantinho especial na minha lista negra. Eles
são o pior dos homens num monstro só."
"Talvez exista um monstro pior, a senhora apenas ainda não encontrou.", Ren sugeriu, inseguro.
"Pode ser. Por enquanto, essa coisa deles serem estupradores em série me faz
odiá-los profundamente."
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