A História que eu vivi, e que tantos esqueceram
Dona M não lembra de Chernobyl, mesmo tendo 69 anos. Ela não sabe a diferença entre Educação Física e Física.

No dia 11 de Setembro, uma colega de trabalho reclamou comigo e com os gerentes que estávamos fazendo corpo mole no trabalho, com os olhos grudados na TV e no noticiário online, afinal, aquilo não afetava em nada o nosso trabalho e as licitações! Lembro de olharmos pra ela assombrados, como se tivéssemos os três ouvido um monte de asnices, ou uma grande brincadeira, mas ela havia falado sério.

Lembro de estar de pé, no salão azul do Senado Federal, ouvindo Luiz Carlos Prestes discursando na convenção nacional do PDT e sentido um misto de raiva e admiração. Era 1989 e eu achava que o país estava mudando sobre os ossos do passado, e aquele velho precisava ser enterrado junto com outros dinossauros, para o novo país surgir. Quando falo hoje de Prestes, meu filho não faz idéia de quem é.

Do que essas pessoas se lembram? Não digo os militantes políticos, falo das pessoas que apenas viviam, assistiam telenovelas, e mal viam o telejornal, enquanto jantavam, esperando a novela. Falo dos que liam jornais populares no trem pro trabalho, de preferência jornal dos sports, e tinham de lavar a mão suja de preto e rosa das páginas.

Parece que habitamos planetas diferentes ao mesmo tempo no espaço.
Indira Gandhi morreu em 1984. Lembro de assistir na tv os ritos funerários. Quando criança, eu queria ser como ela, Primeira Ministra. Lembro de Margaret Thatcher, e pisar duro num mundo de homens e ser respeitada, sem deixar de ser mãe e avó. Eu era muito criança quando Golda Meir morreu, mas lembro do meu avô dizer, que uma grande mulher havia morrido, e com os anos, ela ficou na minha mente como uma senhora que ajudou a criar um país de um deserto.


Dona M não sabe quem foi nenhuma delas, nem da Thatcher, e olha que o conflito das Malvinas passou bem aqui nos nossos mares.
Eu não sei se eu vivi no mesmo mundo que meus colegas de rua, de escola, ou de muitos dos meus parente.
Meu mundo tinha guerras de verdade, tinha grande acontecimentos que repercutiam nas menores coisas, meu mundo era grande e vinha em ondas até a minha rua pobre e suburbana. E a minha sensação era de que eu podia ir ao encontro desse mundo, estudando, trabalhando, lendo, aprendendo, participando de alguma maneira.
Me permitindo perguntar.
Ando me sentindo sozinha. Sozinha com minhas memórias que não tenho com quem compartilhar. Envelhecida e esquecida, num mundo que parece nunca ter existido.
No dia 11 de Setembro, uma colega de trabalho reclamou comigo e com os gerentes que estávamos fazendo corpo mole no trabalho, com os olhos grudados na TV e no noticiário online, afinal, aquilo não afetava em nada o nosso trabalho e as licitações! Lembro de olharmos pra ela assombrados, como se tivéssemos os três ouvido um monte de asnices, ou uma grande brincadeira, mas ela havia falado sério.
Lembro de estar de pé, no salão azul do Senado Federal, ouvindo Luiz Carlos Prestes discursando na convenção nacional do PDT e sentido um misto de raiva e admiração. Era 1989 e eu achava que o país estava mudando sobre os ossos do passado, e aquele velho precisava ser enterrado junto com outros dinossauros, para o novo país surgir. Quando falo hoje de Prestes, meu filho não faz idéia de quem é.
Do que essas pessoas se lembram? Não digo os militantes políticos, falo das pessoas que apenas viviam, assistiam telenovelas, e mal viam o telejornal, enquanto jantavam, esperando a novela. Falo dos que liam jornais populares no trem pro trabalho, de preferência jornal dos sports, e tinham de lavar a mão suja de preto e rosa das páginas.
Parece que habitamos planetas diferentes ao mesmo tempo no espaço.
Indira Gandhi morreu em 1984. Lembro de assistir na tv os ritos funerários. Quando criança, eu queria ser como ela, Primeira Ministra. Lembro de Margaret Thatcher, e pisar duro num mundo de homens e ser respeitada, sem deixar de ser mãe e avó. Eu era muito criança quando Golda Meir morreu, mas lembro do meu avô dizer, que uma grande mulher havia morrido, e com os anos, ela ficou na minha mente como uma senhora que ajudou a criar um país de um deserto.
Dona M não sabe quem foi nenhuma delas, nem da Thatcher, e olha que o conflito das Malvinas passou bem aqui nos nossos mares.
Eu não sei se eu vivi no mesmo mundo que meus colegas de rua, de escola, ou de muitos dos meus parente.
Meu mundo tinha guerras de verdade, tinha grande acontecimentos que repercutiam nas menores coisas, meu mundo era grande e vinha em ondas até a minha rua pobre e suburbana. E a minha sensação era de que eu podia ir ao encontro desse mundo, estudando, trabalhando, lendo, aprendendo, participando de alguma maneira.
Me permitindo perguntar.
Ando me sentindo sozinha. Sozinha com minhas memórias que não tenho com quem compartilhar. Envelhecida e esquecida, num mundo que parece nunca ter existido.
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