A leitura foi a minha fruta do conhecimento do bem e do mal
Eu sempre gostei de ler. Leio desde muito pequena, por volta dos quatro anos. Lembro de ler jornais, especialmente nos finais de semana, quando a família ficava mais em casa, e eu vistada meus avós, então eu tinha o privilégio de comparar os diferentes interesses de cada casa.
Minha mãe adorava jornais populares, O Dia, numa época em que a publicação focava muito na crônica policial. Se você espremesse o jornal, pingava sangue. Já meus avós maternos, deixavam a disposição a edição dominical de O Globo, que era bem grande, com diversos cadernos, de vários assuntos, e eu adorava ler.
Na casa da minha avó paterna, a minha tia Ruth costumava ler o Jornal do Brasil, aos domingos, também uma edição grande, com vários cadernos, de uma linha editorial mais crítica, uma linguagem mais afinada a uma classe média alta.
Minha rotina de leitura era bem consistente: as tirinhas e cadernos para crianças, os cadernos de cultura e entretenimento, as partes dedicadas às principais notícias locais da semana, as partes das notícias nacional, e eu gostava muito, mas muito mesmo do caderno Internacional/Mundo.
Com o tempo, o caderno de política ganhou maior substância.
Eu era pobre, morava num bairro pobre, de família parda, que se queria crescendo na vida. Meus tios e tias estudavam, trabalhavam, casaram e constituíram família, e se preocupavam com uma vida prática. Estar sempre informado era uma características dos meus tios mais bem sucedidos.
Mas para mim havia uma outra razão, menos pragmática: sempre que eu lia sobre outros estados e países, lia as notícias, as diferentes realidades e os discursos, eu ficava maravilhada! Como o mundo é grande, E como as coisas estavam todas interligadas.Apesar de toda a distância, eu sentia proximidade de algum tipo com as guerras que ainda se travavam na áfrica nos anos 70. Eu tinha o sentimento de que o Brasil era parte daquela historia de alguma maneira.
O mundo era, e ainda é, bem maior do que o terraço da nossa casa, ali na zona do agrião, entre o quitungo e a vila da penha. E eu sonhava ver esse mundo, entendê-lo, fazer parte dele.
Aos quatro anos eu comecei a ler. E a minha memória abriu para negócios, e minha mente caiu no mundo.

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