Nós servimos o Estado... nós estaremos aqui

Eu tenho 49 anos, e já testemunhei vários governos, desde militares, até o atual. E nunca vi um presidente tão inábil no trato com o Congresso.

Sou servidora pública da área de saúde, e trabalho com pessoas que estão no serviço público desde os anos 80. Serviram desde antes do FHC, e hoje servem o Jair Bolsonaro. Algumas começaram como bolsistas, e, embora tenham tempo de serviço, não tem idade ainda para se aposentar, então estão aí, trabalhando. O fato é que podem estar aí depois do atual presidente deixar o cargo, quem sabe?

Um servidor público não serve a um governo, ou a uma gestão: ele serve ao Estado. Quando eu era criança, nos anos 70, os livros da editora Biblioteca do Exército me passavam essa mensagem sobre o serviço militar. Não vejo diferença entre o serviço civil e militar nesse aspecto: somos servidores do Estado e do povo brasileiro, independente de que pessoa esteja exercendo o cargo supremo do Poder Executivo, de quem sejam os membros do Legislativo, ou do Supremo Tribunal Federal.

Tenho a minha opinião pessoal, minhas convicções, meus valores e minhas idéias, mas, no momento em que estou no trabalho, exercendo a minha função, eu preciso agir dentro de um código de ética que é próprio e firmado em lei. Lei que é o norte de um estado democrático de direito, laico e que proíbe discriminação por raça, cor, gênero, orientação sexual, credo... Essa é a minha orientação, inclusive como pesquisadora, a verdade que subscrevo, e que tive a honra de testemunhar ser elaborada, promulgada e aprendi na faculdade de Direito.

Mas parece que o atual presidente não gosta de nós.

Um servidor não tem de concordar com o presidente. Na verdade, temos de executar o nosso trabalho de acordo com a lei, e o interesse público se encontra na lei, e não na vontade pessoal do presidente ou seus filhos, nem da de nenhum outro político. Está na constituição, pode ler, princípios da administração pública, e ele, como Primeiro Servidor da Nação, deveria saber de cor e salteado.

É uma confiança que precisa existir em mão dupla.

Ao contrário de muitos colegas, ultrajados com o tratamento que vem recebendo (mesmo tendo votado no atual presidente), e outros de inclinação de esquerda, eu fui contra a greve do dia 14/06/2019. Acredito que não era o momento de uma greve. O país está com milhões de desempregados, a economia não anda, a reforma da previdência proposta não é adequada, apesar de ser necessária uma reforma, e se há algum momento para forças de centro surgirem é agora.

Resultado de imagem para greve 14 de junho

O governo vem sofrendo derrotas seguidas no STF, por erros formais! Dissolver conselhos criados por lei, usando um decreto? Ficou básico. Pegando pesado numa agenda de costumes, quando o país está à beira do abismo? Para agradar um grupo extremista leal, mas fraturar o todo? Ir além do poder do executivo no decreto das armas, pra gramar derrota na CCJ? O congresso resolveu, pela primeira vez, desde a constituinte tomar a frente de uma agenda positiva, significativa, e eu não sei se isso é bom ou ruim, dada a composição da casa... Mas sei que é hora de achar maneiras de agir.

Buscar novas lideranças? Educar e pressionar usando melhor as ferramentas das redes sociais, novas linguagens? Que alguns abram mão de "lula livre", e outros  de seus próprios extremismos em prol de uma nova agenda, que precisa ser negociada hoje, agora, para um Brasil onde nossos sonhos sejam possíveis, então sejamos pragmáticos.

Tenho respostas? Não. Façamos da crise uma oportunidade de crescimento.

Façamos o Brasil Grande... pela primeira vez.



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