Feminismo? Coragem e Integridade!
Não tenho saco pra feminismo de sovaco cabeludo e tetas de fora na rua. Não tenho tempo para isso, nunca tive. Estava preocupada demais vivendo. Me inspirei em outras coisas para ser a mulher que sou,
Eu tenho a sorte e a benção de ter convivido com mulheres que não se conformaram com os papéis que a sociedade das décadas de 50, 60, 70... lhes atribuíram e, com apoio e muitas vezes sem, resolveram fazer o que quiseram e puderam das suas vidas.

Pude testemunhar essas mulheres estudando a noite e trabalhando de dia, assumindo que não gostavam de criança e não queriam ter filhos; eu as ouvi dizer que casamento não era para elas, ou que não estavam dispostas a permanecer em casamentos infelizes; eu as ouvi dizer e as vi trabalhar e lutar para subir na carreira; e abandonarem carreira também; casar várias vezes; morarem sozinhas e em repúblicas; eu as vi serem chamadas de putas, de egoístas, de solteironas, de pessoas ruins, quando na verdade apenas ambicionavam coisas que homens ambicionavam.
Eu as vi pagando o preço da ousadia e elas abriram caminho para mim.
Enquanto algumas pessoas falavam mal das minhas tias, eu as admirava do fundo do meu coração: que se dane se as escolhas eram egoístas, eu via homens fazendo as mesmas escolhas e não serem classificados assim! Eu achava o máximo. Qual é o problema de não querer se dedicar a trabalhos domésticos, cuidar do lar?
Cedo eu ouvi que o trabalho da dona de casa não tem salário, respeito, sábado, domingo, feriado, férias, hora extra, e ninguém agradece ou reconhece. Mas o da empregada doméstica pode fazer jus a essas coisas, pois é um trabalho profissional, não é uma obrigação. A esposa e mãe cozinham por obrigação, a cozinheira o faz por profissão, e essa é toda a diferença na dinâmica do lar, onde o homem reina absoluto.
O estudo e o trabalho remunerado eram a nossa libertação dos grilhões, a possibilidade de não ficar casada, ou de nem casar e nem por isso deixar de amar, de namorar, de ter uma vida emocional e romântica rica, era a nossa libertação de uma sexualidade controlada por outras pessoas. E elas, apenas tendo a coragem de viver a vida delas, foram importantes para mim.
Minha tia mais velha está caminhando para os 90 anos. Na verdade eu não sei a idade dela, meu avô registrava os filhos por atacado, quando via que tinham vingado, ou quando morria um, e precisava do certificado de óbito. Ela está sofrendo com alzheimer, e eu fico muito triste ao ver uma pessoa tão forte, independente, inteligente e ativa, perder paulatinamente sua saúde mental. É como ver um gigante (ela é baixinha, na verdade, mas todas as minhas tias paternas são gigantes para mim em temperamento) aos poucos se deitando.
Sinto que, apesar dela nunca ter tentado pregar nada para ninguém, foi sempre um exemplo. Nunca parou para pensar em ser um exemplo, apenas viveu. Tomara que eu esteja fazendo alguma coisa certa, e que, ao fim da minha vida, eu possa ter inspirado alguém também.
É por isso que hoje, beirando os cinquenta anos, eu me preocupo mais ainda em viver o melhor que eu puder. Não é uma questão de ser rica, ou vitoriosa, mas ser o melhor que eu puder para mim, encontrar a minha forma de felicidade, de ética, de relação com meu filho, com meu trabalho, com meu amor, que me faça bem. O resto, a vida cuida. Integridade inspira integridade, quem sabe,
Eu tenho a sorte e a benção de ter convivido com mulheres que não se conformaram com os papéis que a sociedade das décadas de 50, 60, 70... lhes atribuíram e, com apoio e muitas vezes sem, resolveram fazer o que quiseram e puderam das suas vidas.
Pude testemunhar essas mulheres estudando a noite e trabalhando de dia, assumindo que não gostavam de criança e não queriam ter filhos; eu as ouvi dizer que casamento não era para elas, ou que não estavam dispostas a permanecer em casamentos infelizes; eu as ouvi dizer e as vi trabalhar e lutar para subir na carreira; e abandonarem carreira também; casar várias vezes; morarem sozinhas e em repúblicas; eu as vi serem chamadas de putas, de egoístas, de solteironas, de pessoas ruins, quando na verdade apenas ambicionavam coisas que homens ambicionavam.
Eu as vi pagando o preço da ousadia e elas abriram caminho para mim.
Enquanto algumas pessoas falavam mal das minhas tias, eu as admirava do fundo do meu coração: que se dane se as escolhas eram egoístas, eu via homens fazendo as mesmas escolhas e não serem classificados assim! Eu achava o máximo. Qual é o problema de não querer se dedicar a trabalhos domésticos, cuidar do lar?
Cedo eu ouvi que o trabalho da dona de casa não tem salário, respeito, sábado, domingo, feriado, férias, hora extra, e ninguém agradece ou reconhece. Mas o da empregada doméstica pode fazer jus a essas coisas, pois é um trabalho profissional, não é uma obrigação. A esposa e mãe cozinham por obrigação, a cozinheira o faz por profissão, e essa é toda a diferença na dinâmica do lar, onde o homem reina absoluto.
O estudo e o trabalho remunerado eram a nossa libertação dos grilhões, a possibilidade de não ficar casada, ou de nem casar e nem por isso deixar de amar, de namorar, de ter uma vida emocional e romântica rica, era a nossa libertação de uma sexualidade controlada por outras pessoas. E elas, apenas tendo a coragem de viver a vida delas, foram importantes para mim.
Minha tia mais velha está caminhando para os 90 anos. Na verdade eu não sei a idade dela, meu avô registrava os filhos por atacado, quando via que tinham vingado, ou quando morria um, e precisava do certificado de óbito. Ela está sofrendo com alzheimer, e eu fico muito triste ao ver uma pessoa tão forte, independente, inteligente e ativa, perder paulatinamente sua saúde mental. É como ver um gigante (ela é baixinha, na verdade, mas todas as minhas tias paternas são gigantes para mim em temperamento) aos poucos se deitando.
Sinto que, apesar dela nunca ter tentado pregar nada para ninguém, foi sempre um exemplo. Nunca parou para pensar em ser um exemplo, apenas viveu. Tomara que eu esteja fazendo alguma coisa certa, e que, ao fim da minha vida, eu possa ter inspirado alguém também.
É por isso que hoje, beirando os cinquenta anos, eu me preocupo mais ainda em viver o melhor que eu puder. Não é uma questão de ser rica, ou vitoriosa, mas ser o melhor que eu puder para mim, encontrar a minha forma de felicidade, de ética, de relação com meu filho, com meu trabalho, com meu amor, que me faça bem. O resto, a vida cuida. Integridade inspira integridade, quem sabe,
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