O taxista do Bolsonaro contra os paraíbas
Há pouco mais de um ano, antes da eleição do Jair Bolsonaro, eu peguei um táxi do trabalho para casa, e, como é do meu feitio, fiz o trajeto conversando com o motorista.
Eu gosto de ouvir as pessoas, nas filas dos bancos, mercados e repartições públicas, nos transportes, onde haja oportunidade. É interessante como estranhos podem falar animadamente sobre suas vidas, sobre suas idéias, e até coisas bem pessoais.
Nesse dia, comentamos o último tiroteio, como estava difícil ir e vir na região, e o senhor veio com uma idéia complicada, que a razão não era o tráfico de drogas, ou a pobreza, e o desemprego, ou talvez a ruindade ou a influência do demônio... o problema eram os nordestinos!
Eu fiquei chocada, mas respondi "aham... é mesmo?"

E o istepô continuou animado, dizendo que a família dele tinha vindo para o Brasil na segunda metade do século XIX, de maneira que ele era carioca há mais de seis gerações e notou que a coisa ficou feia quando os "paraíbas" chegaram. Siiiiim, pois eles chegam primeiros sozinhos, sem a família, então trazem a esposa, e depois mandam vir um ou dois irmãos, e aí invadem um canto e fazem um puxadinho, e criam uma venda, um botequim, e começam a tomar os empregos de porteiros e faxineiras, zeladores, e os serviços que antes eram dos cariocas pobres, e depois se organizam em milícias, nas suas comunidades, sempre explorando os cariocas legítimos como ele, Eu podia ver claramente o exemplo do transporte alternativo, que floresceu nas comunidades de "paraíbas", "essa gente falsa e desonesta".
Reclamava que era uma gente ignorante que se reproduzia feito rato, vivendo nas costas dos outros, chupa olho e ganhador de bolsa pobreza.
Nem tentei discutir, mesmo minha família materna sendo nordestina! O sujeito estava dirigindo o carro, me levando para casa, vai que tem um ataque de fúria? Pode ser um louco raivoso, e eu ali sozinha? Não tenho peito de aço! Até dei razão, sorri e não pedi os centavos de troco, aliviada da corrida ter acabado.
Adivinhem quem eram os candidatos do celerado? O capitão e o Juiz Witzel!
Hoje, ao ver o Presidente na TV, chamando os governadores nordestinos de paraídas, e reclamando que o do Maranhão era o pior de todos, me lembrei do tal carioca há seis gerações, que não melhora de vida por causa da conspiração nordestina contra os cariocas de verdade.
Se o sujeito viu a entrevista, deve ter tipo espasmos de prazer multiplos, e impossíveis de conter.
O que me assustou, na fala do presidente, é que ter feito tudo errado. Ele alienou os governadores do nordeste, estados importantes numa época em que o apoio é fundamental, ofendendo a população dos Estados, e os senadores, veio com idéias loucas de que poucos passam fome no país, e muitos comem mal, mas que no geral está tudo ótimo---- esqueceu de combinar com quem não tem o que comer, né? E principalmente, me apavorou saber que qualquer discordância, por mais bem apoiada por dados , será destruído pela máquina de destruir reputações.
Espero que, em algum momento, ele acorde e governe para todos,
Eu fiquei chocada, mas respondi "aham... é mesmo?"
E o istepô continuou animado, dizendo que a família dele tinha vindo para o Brasil na segunda metade do século XIX, de maneira que ele era carioca há mais de seis gerações e notou que a coisa ficou feia quando os "paraíbas" chegaram. Siiiiim, pois eles chegam primeiros sozinhos, sem a família, então trazem a esposa, e depois mandam vir um ou dois irmãos, e aí invadem um canto e fazem um puxadinho, e criam uma venda, um botequim, e começam a tomar os empregos de porteiros e faxineiras, zeladores, e os serviços que antes eram dos cariocas pobres, e depois se organizam em milícias, nas suas comunidades, sempre explorando os cariocas legítimos como ele, Eu podia ver claramente o exemplo do transporte alternativo, que floresceu nas comunidades de "paraíbas", "essa gente falsa e desonesta".
Reclamava que era uma gente ignorante que se reproduzia feito rato, vivendo nas costas dos outros, chupa olho e ganhador de bolsa pobreza.
Nem tentei discutir, mesmo minha família materna sendo nordestina! O sujeito estava dirigindo o carro, me levando para casa, vai que tem um ataque de fúria? Pode ser um louco raivoso, e eu ali sozinha? Não tenho peito de aço! Até dei razão, sorri e não pedi os centavos de troco, aliviada da corrida ter acabado.
Adivinhem quem eram os candidatos do celerado? O capitão e o Juiz Witzel!
Hoje, ao ver o Presidente na TV, chamando os governadores nordestinos de paraídas, e reclamando que o do Maranhão era o pior de todos, me lembrei do tal carioca há seis gerações, que não melhora de vida por causa da conspiração nordestina contra os cariocas de verdade.
Se o sujeito viu a entrevista, deve ter tipo espasmos de prazer multiplos, e impossíveis de conter.
O que me assustou, na fala do presidente, é que ter feito tudo errado. Ele alienou os governadores do nordeste, estados importantes numa época em que o apoio é fundamental, ofendendo a população dos Estados, e os senadores, veio com idéias loucas de que poucos passam fome no país, e muitos comem mal, mas que no geral está tudo ótimo---- esqueceu de combinar com quem não tem o que comer, né? E principalmente, me apavorou saber que qualquer discordância, por mais bem apoiada por dados , será destruído pela máquina de destruir reputações.
Espero que, em algum momento, ele acorde e governe para todos,
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