Olhando, Ouvindo e Registrando
Não sou uma pessoa muito calorosa. Sendo brasileira e carioca, isso é bem pouco usual! Não sou aquela pessoa que se oferece prontamente a apertos de mão, abraços e beijos no rosto, embora não os recuse, por educação. Com o tempo, os amigos mais chegados, consciente ou inconscientemente, percebem esse meu jeito e seguram a onda das manifestações mais esfuziantes de afeto.
Isso não significa, de jeito nenhum, que eu não goste das pessoas, nem que eu não goste de locais públicos... eventualmente. Eu adoro... eventualmente. Tenho meus momentos, é claro, e as únicas pessoas com quem eu sou realmente carinhosa são meu filho e meu namorado, mesmo assim, confesso que não sou grudenta.
Em tempos de epidemia, acho que isso é uma bênção!
Cabreira com notícias do oriente, e atendendo às minhas obsessões, eu passei o carnaval bem quietinha esse ano, e, como eu não sou dada a essa coisa de muita proximidade física, cá estou relativamente saudável, me sentindo quase poderosa e capaz de atravessar um hospital cheio de contaminados sintomáticos completamente incólume. Vem ni mim corona, que essa coroa aqui é foda!!!!!
Sou eu quem passeia com a cachorra na rua, cães defecam, e a minha adora a garagem do prédio; sou eu quem vai à rua trazer alimentos. Sou eu quem vai à farmácia e ao banco. Sou eu quem vai ao trabalho para buscar documentos, arquivos e outras necessidades, e continua em home office, e ainda, se preciso, presta auxílio aos idosos. Oxalá e Exu me protejam! Não posso dizer que dou bobeira, apertando mãos, que já não me dou a esses desfrutes normalmente mesmo, ou fico em aglomerações desnecessárias. Também não fico em transporte público me esfregando nos outros, trocando baforadas. Mas ejionilé enganou a morte, espero que o odu me dê um refresco também.
Ainda assim eu não perco a oportunidade de observar e ouvir as pessoas, nessas minhas poucas saídas. Quero entender o que se passa, documentar mentalmente meu tempo e guardá-lo na memória para dar sentido a ele, em algum momento. É uma crônica de mais uma crise que marcará várias gerações, cada uma entendendo-a a sua maneira.
Portanto, justamente nesse momento, a anti-social aqui está sentindo um ímpeto quase irresistível de ir ao mundo e registrá-lo. Por enquanto estou no quase, furtando momentos, mas eu sou uma criatura de momentos e ainda temos semanas muito interessantes pela frente!

Comentários
Postar um comentário