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Como perder um amigo?

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 Eu me deixei levar, bêbada, por um amigo mútuo meu e do meu ex-marido, quando percebi, já não sentia mais meus pés no chão. Há um nada sob eles que me agonia. Busco pernas nas quais entrelaçar as minhas e acho mãos autoritárias que as abrem, enquanto quadris pesados se encaixam nos meus.   A penetração é dura e forte. Ele é grande, mais largo. Não sei se estou excitada, há mais confusão do que qualquer outra coisa. Sinto-o raspando minha carne quando entra em mim, e só então a umidade vem, abundante. A brincadeira acabou e só posso me mover se for para acalentá-lo dentro de mim.   Alto, forte... a amizade se perdeu na sedução, virou silêncio e febre. Enquanto enterra o rosto no meu pescoço e nos meus cabelos, ele segura minhas mãos. Meu prazer é secundário, a saciedade é imperativa.   Conforme o suor escorre dos nossos corpos, ele se ergue levemente e me puxa para si, quase de joelhos, e então nos movemos, em forte sincronia. Seus olhos ficam nublados, perdido...

Dorinha (versão beta)

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 *Aviso: esse texto não descreve pessoas ou eventos reais, qualquer semelhança é mera coincidência, dado o completo e infeliz lugar comum dos fatos descritos. ** Aviso:o texto pode causar angústia em algumas pessoas. Alerta de gatilho.  Os peitinhos dela eram apenas botões sob o fino vestido de pano barato, a pele morena e os cabelos finos, de um castanho queimado de sol. “Dorinha, ô, Dorinha, corre aqui!”, gritou uma senhora da outra beira do açude, e ela se aviou, ligeira, as pernas finas, mas firmes pela margem de pedras e barro, tranças balançando, o vestido molhado colado ao corpo. Meu primo voou por cima de mim pelo pequeno cais de tábuas, e deu na água com uma explosão de água, me tirando daquele transe. Éramos uns dez meninos e rapazes, em roupas de baixo, aproveitando a tarde quente no açude das terras de meu avô. Como coubemos todos na velha Rural, não sei, mas viemos espremidos, com farnel de merenda feita pelas mães e tias. O ano havia sido bom, de boas chuvas,...

Varinhas, coelhos, melhores amigos

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Homem tem uma relação complicada com vibrador. Gozado, né? Para eles é "consolo". Consolo de quê? Olham com uma certa suspeita a mulher hetero, desejável, que usa aparelhos para masturbação, que são, verdade seja dita, na média dos orgasmos proporcionados, mais eficientes do que eles.  O que diabos eles farão com aquele penduricalho, tão valorizado pelo papai e pela mamãe, que "carrega" o nome da família? Ah, me poupe!O ego masculino é enorme, mas é de cristal. Um vibrador não broxa, não enche o saco, não tem cueca pra lavar, não trai e é mais higiênico, de maneira que você não vai contrair doença venérea a partir dele (no máximo um fungo, se não limpar o troço direito). E se ficar velho, troca por um novo. Vibrador não tem ciúmes, você pode ter vários modelos, e um não vai reclamar do outro. Claro que eles não cuidam de você na hora da doença... mas a maioria esmagadora dos homens também não! (Confira os hospitais de câncer...). Também não partilham as tarefas domé...

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 Quer causar uma broxada gigante? Ria na hora errada (ou certa) da trepada! Claro, dependendo o troglodita oculto nos bagos, até um esquerdomacho pode ter ímpetos de lhe dar uns tapas, e não serão tapinhas de amor! "Não, querida, eu não queria lhe machucar, é que meu instrumento é grande!", e eu: "quem te disse que é grande?". Nossa, o sujeito de branco, ficou transparente, e deve ter conferido todas as vezes que mediu o pinngolim, e lembrado os elogios. Realmente, era um sujeito mediano, mas com um ego... Alguém tinha de dizer a verdade para ele, afinal, chegar à meia idade sem conhecer e reconhecer a si mesmo, é triste. E outro: "gostou, o que achou do tamanho?"... pobre diabo: "médio pra pequeno". "Mas como assim? Eu sempre ouvi que sou médio!" (sim, só faltou segurar as pérolas). Eu, sem pestanejar: "mulheres mentem". "Aha! Então você pode estar mentindo também!". "Não, pois eu não tenho nenhum interesse esp...

Quando eu descobri que ser menina, era ser menos do que um menino

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  Nasci menina, e até uma determinada idade, eu me sentia muito feliz assim. Eu tinha avós maravilhosas, minha avó materna me mimava de todos os jeitos, meus avós homens eram muito legais, o materno então era super carinhoso, falava comigo como se eu fosse "grande". Aprendi a falar e andar muito cedo, eu aprendi a ler sozinha muito cedo, e a observar as pessoas de maneira crítica bem precocemente. Venho de famílias de mulheres fortes, e na minha família paterna então... elas são como titãs, desafiadoras do seu tempo, e eu adorava. Na minha cabeça, eu poderia fazer o que eu quisesse. Meu pai me levava pro quartel, eu tinha até minha boina da PQD, eu brincava com os meninos e meninas, saía na pancadaria, mesmo sendo baixinha, magrinha, perebenda e com bronquite. Então minha mãe engravidou. Eu fiquei feliz pois ia ganhar uma irmã no dia do meu aniversário, mas meu pai insistia que seria um menino, pois estava obcecado com a idéia de ter um filho homem, macho! Minha mãe deixou mi...

O ano em que fiz parte de estatísticas e COVIDei.

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No dia 30 de abril de 2020 eu tentei dar minha aula a distância, por meio de video, mas consegui apenas usar apenas o instrumento de chat, pois falar foi impossível. Eu estava cansada, sem ar, a garganta dolorida, mas nada me dizia, naquele momento que eu já estaria com covid-19. No dia seguinte eu amanheci sem sentir cheiro algum, ainda assim saí para cumprir tarefas no dia seguinte, dia 3. Eu ainda me sentir bem, o que me incomodou foi a perda do olfato, e parcialmente do paladar. Mas já no domingo eu tombei, com muito cansaço, e respirar se tornou uma enorme dificuldade.fa E foi assim que eu entrei para as estatísticas brasileiras como um caso confirmado de infecção por sars-cov-2. Fui ao trabalho, onde colheram meu RT PCR, ajeitei a mesa e vim me embora. Descobri que outro colega que havia trabalhado comigo havia pego também. Fiquei preocupada com minhas tias, a quem eu tinha dado assistência poucos dias antes, e com a senhora que trabalha comigo, que vinha passando mal - pedi...

Olhando, Ouvindo e Registrando

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Não sou uma pessoa muito calorosa.  Sendo brasileira e carioca, isso é bem pouco usual! Não sou aquela pessoa que se oferece prontamente a apertos de mão, abraços e beijos no rosto, embora não os recuse, por educação. Com o tempo, os amigos mais chegados, consciente ou inconscientemente, percebem esse meu jeito e seguram a onda das manifestações mais esfuziantes de afeto. Isso não significa, de jeito nenhum, que eu não goste das pessoas, nem que eu não goste de locais públicos... eventualmente. Eu adoro... eventualmente. Tenho meus momentos, é claro, e as únicas pessoas com quem eu sou realmente carinhosa são meu filho e meu namorado, mesmo assim, confesso que não sou grudenta. Em tempos de epidemia, acho que isso é uma bênção! Cabreira com notícias do oriente, e atendendo às minhas obsessões, eu passei o carnaval bem quietinha esse ano, e, como eu não sou dada a essa coisa de muita proximidade física, cá estou relativamente saudável, me sentindo quase poderosa e capaz d...